José Carlos Grubisich.

José Carlos Grubisich, ex-presidente da Braskem, foi preso em Nova Iorque, acusado de participar de um esquema para pagar milhões de dólares em subornos para garantir contratos governamentais. As informações são da Reuters.

Grubisich foi acusado de conspiração para lavagem de dinheiro e para violar uma lei de corrupção estrangeira dos Estados Unidos.

Segundo a Reuters, o executivo foi preso na manhã da quarta-feira, 20/11, no aeroporto John F. Kennedy e, à tarde, já apresentou um recurso de inocência.

Uma audiência ainda deve ser marcada para decidir se ele poderá ser liberado sob fiança. No processo, os promotores argumentaram contra a medida, afirmando que Grubisich apresenta alto risco de fugir dos EUA.

O executivo liderou a Braskem entre 2002 e 2008 e também ocupou vários cargos na construtora Odebrecht, principal acionista da companhia. 

Mais tarde, se tornou presidente-executivo da fabricante de celulose Eldorado Brasil, de onde saiu em 2017.

Na acusação, os promotores disseram que Grubisich e outros funcionários da Braskem e da Odebrecht participaram de uma conspiração para desviar cerca de US$ 50 milhões para um fundo secreto, usado parte do valor para subornar funcionários. 

O esquema teria ocorrido entre 2002 e 2014, de acordo com as informações da Reuters.

Como presidente da Braskem, Grubisich teria ajudado a encobrir o esquema, falsificando os livros da empresa e assinando certificações falsas à reguladora do mercado de capitais nos EUA.

Em 2016, a Braskem e a Odebrecht concordaram em pagar um total combinado de US$ 3,5 bilhões em um acordo com autoridades americanas, brasileiras e suíças para resolver as acusações de suborno.

O Departamento de Justiça dos EUA disse, na época, que cerca de US$ 2,6 bilhões viriam da Odebrecht e US$ 957 milhões, da Braskem. A maior parte do dinheiro seria destinada ao Brasil.

Tanto a Braskem quanto a Odebrecht se declararam culpadas de acusações criminais norte-americanas como parte do acordo, que emergiu da operação Lava Jato.

Grubisich é o segundo executivo brasileiro de projeção internacional a sofrer problemas com a justiça nos últimos tempos. 

Em novembro do ano passado, Carlos Ghosn, executivo brasileiro que ocupava a presidência do conselho de administração da Nissan e o cargo de CEO do Grupo Renault, foi preso no Japão.

A prisão também foi por conta de uma investigação que apura irregularidades financeiras.

Neste caso, o executivo teria teria falsificado declarações de renda durante vários anos e usado ativos da empresa para uso pessoal.

Gohsn perdeu os cargos e segue preso, agora em regime domiciliar. Seu julgamento está previsto para abril de 2020 e o executivo pode ser condenado a até 15 anos e prisão.