Marcos Mazoni, presidente do Serpro.

O Serpro lançou em Porto Alegre nesta quarta-feira, 19, a versão em nuvem da suíte de comunicação Expresso, trazendo recursos como chamada de voz, webconferência e pesquisa avançada.

Se a descrição técnica do Expresso V3 não deixou claro, vale deixar explícito que se trata de um concorrente direto a soluções como o Google Apps for Business e o Office 365, suítes cloud que vêm ganhando espaço na administração pública brasileira.

Com franqueza característica, Marcos Mazoni, presidente do Serpro, que esteve em Novo Hamburgo nesta sexta, 21, participando do lançamento do Anel Óptico da cidade, não foge do confronto com as multinacionais quando perguntado sobre os objetivos do lançamento.

“Existe uma determinação legal na administração pública no sentido de que os dados devem ficar armazenados dentro do país”, explica Mazoni. “Como com outros serviço é impossível saber onde os dados estão, estamos oferecendo uma alternativa dentro da lei”, completa o presidente do Serpro.

A política de dados do governo federal é um argumento de força relativa, se temos em conta que, de acordo com uma pesquisa do Tribunal de Contas da União com 90% com 338 órgãos federais, 90% do total não analisam riscos aos quais a informação está submetida.

Talvez por isso mesmo, Mazoni reforça sua lista de vantagens com duas características cuja vantagem deve ser percebida mais facilmente pelos futuros clientes: comodidade e preço.

“Vamos oferecer o Expresso V3 pela metade do que custa o que está no mercado hoje”, garante Mazoni, sem mencionar valores específicos. De acordo com o presidente do Serpro, o custo inferior será possível porque o serviço será agregado a contratos já existentes.

A assinatura anual de uma conta do Google Apps for Business sai por US$ 65 ao ano, valor pelo qual é possível supor que o Serpro está disposto a atender um usuário de governo por algo na faixa dos R$ 60.

A estatal federal de processamento de dados está investindo em infraestrutura para ter bala na agulha em termos de infraestrutura para suportar as novas ofertas. O data center de Brasília acaba de ser duplicado com investimento total de R$ 40 milhões.

Um novo centro do zero será construído em São Paulo no ano que vem. A licitação sai em janeiro e o custo está previsto para R$ 180 milhões. O centro será certificado Tier 3 – exigência de clientes como a Receita Federal – mas terá algumas características de nível 4, revela Mazoni.

Com o Expresso V3, o Serpro está se mexendo para evitar a consolidação do que parece ser uma tendência emergente.

Google, Microsoft e o grupo crescente de empresas nacionais com soluções de comunicação na nuvem ainda não tem um grande case em nível federal, mas já vem comendo pelas bordas há tempo no mercado de compras públicas.

Em maio, o governo de Santa Catarina começou a adotar o Google Apps for Business, com um projeto inicial de 500 licenças do serviço de aplicações online com um custo divulgado pelo Diário Oficial de R$ 87,84 – o que mostra que a empresa tem disposição para cortar cursos em contratos de porte.

As prefeituras de Belo Horizonte, Osaco e Recife são alguns dos outros clientes na área pública.

A Microsoft tem um histórico maior de vender para o governo, mas nos últimos tempos se nota um esforço maior. Em outubro de 2010, a multinacional fechou um acordo com o  governo de Goiás para fornecer Windows 7 Professional e o Windows Office Home & Student 2010 por US$ 3 a máquina a alunos, professores e funcionários administrativos da Secretaria da Educação.

A situação poderia evoluir para o cenário dos Estados Unidos, onde não há restrições a compra de serviços em nuvem, talvez pelos maiores players do mercado serem americanos com data centers no país.

No final de 2010, Administração Geral de Serviços dos Estados Unidos, entidade que dá suporte a operações básicas de outas agências governamentais americanas com 12 mil colaboradores e orçamento anual de US$ 20 bilhões, migrou todas as contas para o Google.