Sede da Oi. Foto: divulgação.

A Oi fechou um empréstimo de US$ 1,2 bilhão junto ao China Development Bank (CDB), instituição que atua nos moldes do brasileiro BNDES, dos quais metade serão  usados para o refinanciamento de dívidas e o restante para comprar equipamentos de rede da também chinesa Huawei.

Em nota, a operadora de telefonia brasileira não abriu dados sobre as condições do que definiu como um “acordo de financiamento de longo prazo” focado em “na melhoria do seu perfil de endividamento e no aumento de sua produtividade”.

A compra de tecnologia e equipamentos prevista no acordo será feita por meio de uma parceria estratégica que a Oi assinou em novembro com a Huawei.

O acordo também prevê a modernização da rede móvel para a tecnologia Single RAN (Radio Access Network) nas redes 2G, 3G e 4G.

O Single RAN é uma tecnologia que possibilita o uso de apenas um equipamento para gerenciar as redes 2G, 3G e 4G simultaneamente, em vez de se utilizarem múltiplos equipamentos.

“Ao financiar a compra de equipamentos e serviços da Huawei, essa iniciativa também vai ao encontro do objetivo da companhia de viabilizar investimentos, mesmo diante do rígido controle de custos e otimização de CAPEX que a Oi vem colocando em prática”, afirma Eduardo Ajuz, diretor de Tesouraria da Oi.

A dívida líquida da Oi somou R$ 32,5 bilhões no primeiro trimestre deste ano, aumento de 6,5% em relação ao quarto trimestre de 2014 e de 7,5% ante os três primeiros meses do ano passado.

Controlada pelo governo chinês, o CBD funciona como um braço da política externa do país, garantindo o financiamento de contratados de companhias chinesas como a Huawei ou o acesso do país a recursos importantes. No começo do ano, o banco emprestou US$ 3,5 bilhões para a Petrobras.

A Huawei está em um momento de alta visibilidade no país. Em agosto, reestruturou sua gestão no sul e norte da América Latina, unificando operações antes desconectadas. Com as mudanças, a unidade brasileira da empresa asiática passou a atuar de forma autônoma.

A reestruturação foi relacionada ao bom desempenho registrado pela marca no país. Em 2014, a empresa teve um faturamento de US$ 1,5 bilhão no país. Globalmente, a empresa tem uma receita de US$ 46,5 bilhões.

Contando com unidades em São Paulo (onde tem também um centro de pesquisa), Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Curitiba, a companhia anunciou nos últimos anos uma série de parcerias para reforçar sua presença no Brasil.

Em maio, a Huawei e a TIM anunciaram um acordo de cooperação para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de banda larga móvel em 4G para o Rio de Janeiro, incluindo a criação de um centro de inovação na cidade. A parceria visa as oportunidades que os Jogos Olímpicos de 2016 podem trazer para a capital carioca.

No Rio Grande do Sul, a companhia asiática firmou no ano passado a instalação de um centro de inovação no Tecnopuc, parque tecnológico da PUC-RS. Com o acordo, a estatal gaúcha de procassamento de dados Procergs e a Huawei vão trabalhar em conjunto em projetos de cidades digitais, computação em nuvem e comunicações unificadas.