Sede do BNDES no Rio de Janeiro. Foto: Agência Brasil.

O BNDES vai criar uma moeda digital própria baseada em tecnologia de blockchain para controlar melhor os seus empréstimos.

A novidade foi revelada pelo jornal carioca O Globo.

A moeda ainda não tem nome, mas deve começar a circular em maio, com a finalidade rastrear o pagamento de fornecedores nos projetos apoiados pelo banco.

O sistema por trás foi batizado de TruBudget e foi desenvolvimento em parceria com o KfW, o equivalente alemão do BNDES.

Com empréstimos concedidos em moedas virtuais atreladas aos valores em reais, o BNDES vai conseguir acompanhar o rumo que o dinheiro toma depois de sair dos seus cofres, por que cada novo repasse precisa estar registrado na “carteira virtual” do TruBudget.

A lógica do blockchain é que cada nova transação reforça a criptografia de todas as outras de tal forma que em tese seria impossível alterar os registros.

Bancos brasileiros, como Itaú Unibanco e Bradesco vêm fazendo pesquisas para desenvolver aplicações práticas da tecnologia.

Usada para o bitcoin, a tecnologia torna segura transações entre indivíduos anônimos. No caso do BNDES, o propósito seria exatamente o contrário.

A ideia é usar a tecnologia inicialmente nos projetos do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES.

O fundo foi lançado no ano passado e apoiará até dez projetos de conservação e uso sustentável da Amazônia Legal com foco em atividades produtivas sustentáveis com aportes de até R$ 150 milhões.

Pode parecer bastante dinheiro, mas não é. Só o financiamento do BNDES para a JBS entre 2007 e 2011, atualmente sendo investigado pela Polícia Federal, totaliza R$ 8,1 bilhões.

Parte do dinheiro foi um aporte para uma aquisição empresarial que não se concretizou, o tipo de coisa que fica complicada usando blockchain.

Outra parte foi através de compras de ações e outras operações sujeitas a pressões políticas sobre as quais moedas criptografadas não podem fazer nada.

Fundado em 1948 para operacionalizar a distribuição de fundos do Plano Marshall o KfW é controlado pelo governo alemão.

A ideia do banco é usar a tecnologia de blockchain para controlar melhor empréstimos concedidos na África.

No ano de 2015, a revista Global Finance listou o banco como o mais seguro do mundo numa lista de 50 (nenhum brasileiro está na lista, que só tem uma organização chilena como representante da América do Sul na 48a posição).