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SEMICONDUTORES

Ceitec cresce, mas ainda dá prejuízo

Maurício Renner
// terça, 22/03/2016 16:18

O Ceitec, a estatal federal de circuitos integrados localizada em Porto Alegre, faturou R$ 4,3 milhões no ano passado, uma alta de 48% frente aos resultados de 2014.

Fachada do Ceitec. Foto: divulgação / Ceitec.

Ao mesmo tempo, a companhia aumentou seu prejuízo quase na mesma proporção, fechando com um negativo de R$ 31,2 milhões, frente aos R$ 21,8 milhões do ano anterior. 

Em sua divulgação de resultados, o Ceitec apontou que as vendas do chip do boi, um dos seus primeiros produtos, assim como o chip de identificação veicular foram os principais responsáveis pela alta nas vendas.

No ano, foram mais de 17 milhões de chips vendidos, mais do que nos três anos anteriores juntos. O Ceitec começou a faturar em 2012 e desde então vem crescendo, tendo atingido a marca do R$ 1 milhão em 2013.

O Sistema Nacional de Identificação de Veículos (Siniav) é um projeto do governo federal que determina a obrigação da instalação de chips em carros, motos e caminhões, o que significaria uma demanda significativa para o Ceitec.

O problema é que a obrigatoriedade da adesão é protelada desde 2006. No meio tempo, o centro tem emplacado o produto entre veículos transportadores de carga. 

Outros projetos que podem dar mais escala para a produção do Ceitec são o novo chip para os passaportes brasileiros, atualmente em homologação, e um acordo com o Banco do Brasil para produzir chips para cartões.

A empresa precisa ampliar as vendas, uma vez que tem custos fixos altos. Ao todo, são 195 funcionários, a grande maioria formados, 53 deles com mestrados, sete com doutorados e quatro com pós-doutorados.

Como é comum nesse segmento, a empresa também fez investimentos pesados em tecnologia antes de decolar a operação. 

Um deles foi a implantação no ano passado do SAP S/4Hana, última versão da solução de gestão da multinacional alemã, a um custo total de R$ 2,5 milhões.

A companhia também comprou em 2014 um HP Pod, solução de data center in a box da multinacional, a um custo de R$ 5 milhões.

O Ceitec, destinado a fomentar a indústria de semicondutores brasileiras, é parte da política industrial do governo brasileiro na última década. Os aportes feitos no centro chegam a R$ 670 milhões desde 2000.

A estatal parece estar passando imune pela turbulência e corte de custos em andamento em Brasília.

A última grande discussão sobre o futuro do Ceitec foi em 2013, quando foi discutida públicamente a possibilidade de venda de parte de empresa, deixando o governo como sócio de uma PPP gerida pela iniciativa privada.

Na época, foi divulgado pela impresa que o plano teria simpatia do ministro da Ciência e Tecnologia, o “dono” da empresa, Marco Antonio Raupp, e do então presidente do Ceitec, Cylon Gonçalves da Silva.

Silva estava no final do seu mandato, tendo sido substituído de forma interina e depois definitiva pelo ex-diretor de design e relações institucionais Marcelo Soares Lubaszewski.

Raupp ainda permaneceria mais tempo no Ministério de Ciência e Tecnologia, mas saiu no final de 2014, sendo substituído por Aldo Rebelo (PCdoB), tirando de cena definitivamente a possibilidade de algum tipo de privatização.

Maurício Renner