T-Systems decidiu ter outro approach no assunto nuvem. Foto: Pexels.

Tamanho da fonte: -A+A

A T-Systems, gigante alemã de tecnologia que até pouco tempo atrás operava seus próprios data centers, se reposicionou como uma intermediária na contratação de serviços das nuvens da AWS, Microsoft Azure e Google.

De acordo com a nova abordagem, batizada de Cloud First, a companhia vai priorizar uso de nuvens públicas para oferecer os seus próprios serviços. 

O pacote de novos parceiros também inclui a VMware. A T-Systems não chega a explicar qual é o papel da VMware, mas provavelmente será na tecnologia de integração entre as diferentes nuvens.

A T-Systems fez uma grande reorganização, na qual todas as áreas que não estavam relacionadas a serviços de TI retornaram para a Deutsche Telekom, a gigante alemã de telecomunicações que é a dona da empresa.

Ao mesmo tempo, o número de especialistas em nuvem da companhia deve saltar dos atuais três mil para dez mil nos próximos anos, um investimento de “três dígitos de milhões de euros”, ou seja, qualquer coisa entre 100 e 999 milhões.

A T-Systems criou um framework para migração para a nuvem, com a qual é possível fazer a avaliação de demanda e manutenção dos ambientes. É o tipo de serviço oferecido pelos chamados “brokers” de nuvem, ainda que a T-Systems não chegue a usar esse termo.

"Tudo está se tornando nuvem", disse Adel Al-Saleh, CEO da T-Systems. "O truque não é mais operar data centers, mas mapear processos de trabalho de forma inteligente em infraestruturas altamente automatizadas. Estamos alinhando nossa empresa de forma consistente com isso", agrega Al-Saleh.

Essa é uma forma de explicar a movimentação da T-Systems. Outra é com o famoso ditado: “Se não pode vencê-los, una-se a eles”.

Até cerca de uma década atrás, players de tecnologia e de telecomunicações ainda acreditavam que poderiam criar uma oferta própria de computação em nuvem capaz de competir com a AWS, já então líder, ou com novos players como Google e Microsoft.

No caso da T-Systems, isso é especialmente verdadeiro porque a empresa tinha uma visão de ser um provedor europeu, frente à competição americana, o que até hoje é um imperativo estratégico para a União Européia.

Um primeiro passo da T-Systems nesse sentido foi um acordo com a Microsoft, para operar o Azure a partir dos seus data centers, o que contornaria em parte as objeções de empresas e governos europeus a respeito de um provedor americano.

Ao mesmo tempo, a empresa foi desmontando a sua presença de data centers físicos, passando de 92 instalações, 20 delas só na Alemanha e algumas datando dos anos 70, para apenas 13 em julho de 2019.

No Brasil, a redução se deu pela transferência dos data centers para a Odata, um player capitalizado do segmento. 

Segundo a T-Systems Brasil divulgou na época, a empresa vai focar em nuvem, serviços gerenciados, SAP, segurança e IOT, o “core da empresa”, enquanto a Odata assume “a infraestrutura básica de data center”. 

As medidas não reverteram a trajetória descendente de receita da T-Systems, que vem caindo desde 2012, quando a empresa teve vendas de € 10 bilhões e tinha força de 52 mil funcionários.  

Em 2019, as vendas foram de € 6,8 bilhões em 2019, com um prejuízo de € 218 milhões e uma equipe total de 29 mil pessoas.

A empresa não abre resultados no Brasil, mas a T-Systems tem uma operação respeitável no país, onde está presente desde 2001, com 13 escritórios, dois datacenters e 2 mil funcionários.