Empresas querem ser mais gay friendly. Foto: Shutterstock / Gajus

A Atento, maior empresa de call center e terceirização de processos de negócios do Brasil, liberou os funcionários para escolher que nome querem ver exposto nos seus crachás.

A liberação do chamado “nome social” é uma demanda de ONGs ligadas a transsexuais e travestis e visa eliminar os constrangimentos causados por nomes conflitantes com a aparência física.

De acordo com a Atento, 180 dos mais de 90 mil funcionários da Atento optaram pelo nome social desde a implantação do projeto em junho de 2014.

“Assim que cheguei na empresa a recepcionista me entregou uma ficha e perguntou como eu gostaria de ser chamada. Imagina só, para mim foi um espanto, não sabia se ria ou chorava, logo percebi que estava em um local diferente e agarrei a oportunidade com vontade de retribuir à empresa todo acolhimento”, conta Willians da Silva Vieira, que na Atento responde pelo nome Elisabeth Safra.

Não existem dados da indústria sobre isso, mas é um fato conhecido que a indústria de call center é um grande empregador de transsexuais e travestis. A história de Elisabeth é representativa dos motivos pelos quais isso acontece.

Elisabeth é formada em técnica em enfermagem e afirma ter encontrato “portas fechadas” ao buscar trabalho na área. 

A profissional está na Atento há três anos (a média de permanência de um funcionário em um emprego de call center é em média de um ano) e faz planos de estudar Administração para ter um cargo gerencial nos próximos anos.

“A empresa garante funcionários mais felizes e dedicados e, consequentemente, com maior rendimento, entusiasmo e menores índices de absenteísmo”, explica adiretora executiva de Recursos Humanos da Atento, Majo Martinez Campos.

A liberação do uso do nome social em escolas e concursos públicos foi prevista por uma lei criada pelo Conselho Nacional de Combate à Discriminação de LGBT, um órgão da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. 

Alguns críticos da medida, no entanto, apontam para os potenciais problemas de substituir o processo tradicional de troca de nome, que exige um processo judicial e aprovação de um juiz por um paradigma menos controlado.

As próprias limitações da Atento mostram um pouco dos potenciais problema que uma empresa pode enfrentar ao dar a liberdade total aos funcionários sobre como eles querem ser chamados.

A companhia só permite novos nomes compostos por nome e sobrenome, nomes compostos ou frações de nome (Ju, por exemplo). 

A lista de itens vetados é grande e inclui adjetivos, substantivos, termos pejorativos ou números de conotação sensual e penal, além de expressões extremistas, representações de bairros, cidades, facções, times esportivos, desenhos animados e brinquedos.