Renato Jager, CTO da Cipher. Foto: divulgação

O desenvolvimento de aplicativos em plataformas de código baixo, ou Low Code Development Platform (LCDP), vem ganhando espaço dentro de empresas, preocupadas em oferecer mais autonomia às suas divisões, com utilização de aplicativos criados sob medida para as necessidades e tarefas cotidianas.

Baseadas em Graphical User Interface (GUI), ferramentas desse tipo habilitam profissionais, não necessariamente da área de TI, a desenvolverem aplicações sem a necessidade de trabalhar com códigos complexos ou dominar de maneira mais profunda a linguagem de programação.

Embora o conceito tenha surgido na década de 1970, o termo “Low Code” foi criado em 2014, dando força ao movimento do Shadow IT (implantação de sistemas de tecnologia da informação por departamentos fora da área de TI) no cenário corporativo.

Na esteira do Low Code, surgiu o “desenvolvedor cidadão”, ou “desenvolvedor civil”, uma vez que esse tipo de interface torna possível a profissionais de áreas como marketing, finanças e outras, criar softwares totalmente customizados, a partir de templates pré-desenhados, elementos gráficos intuitivos e ferramentas de arrastar e soltar (drag and drop).

Além da interface gráfica amigável para o usuário, aplicações desenvolvidas em Low Code dispensam outras estruturas, necessárias para codificar softwares ou aplicativos no modelo convencional, com flexibilidade acima do que as soluções prontas proporcionam, e simplificam tarefas como a vinculação de bancos de dados.

Desta forma, é possível entregar, em dias, aplicativos que demorariam meses para serem concluídos e ainda precisariam ser customizados para suprir necessidades mais específicas.

Inicialmente adotado em grandes corporações, o desenvolvimento de sistemas com pouca, ou nenhuma, codificação (No Code), está entre as tendências em TI que devem crescer nos próximos anos. Estudo do Instituto Gartner aponta que, até 2024, 65% das aplicações desenvolvidas em âmbito global serão baseadas nessa metodologia, inclusive soluções mais sofisticadas, com recursos de Inteligência Artificial e Machine Learning.

Mas, se por um lado, essa democratização do desenvolvimento de soluções torna organizações mais aptas a construir aplicativos que atendam as especificidades de cada setor com mais aderência a essas demandas, por outro multiplica exponencialmente os riscos com a segurança e aciona o alerta vermelho para a privacidade de dados e informações críticas.

Na medida em que o mercado de No Code e Low Code ganha a preferência das organizações, é natural que grandes provedores tragam soluções mais elaboradas para o desenvolvimento de aplicativos, com níveis de segurança ajustados às necessidades de diferentes modelos de negócio, sobretudo no que se refere a acesso e proteção de dados.

Mas não adianta ter uma ferramenta robusta, se não houver o engajamento dos usuários nas políticas de segurança cibernética.

Embora estejamos falando de um processo “sem volta”, que tende a tornar empresas mais ágeis e competitivas, com alto potencial de economia de tempo e dinheiro, flexibilizar e descentralizar a gestão de aplicações de TI, pode abrir brechas e expor vulnerabilidades no ambiente digital, arriscando o controle da operação.

Nesse cenário, alguns cuidados essenciais, partindo da escolha de uma plataforma confiável e a conscientização dos times sobre as melhores práticas de manipulação de dados, são fundamentais para se  obter  os  melhores benefícios.

*Por Renato Jager, CTO da Cipher