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IDEIAS

Vem aí uma revolução na educação?

Maurício Renner
// quarta, 22/05/2013 17:18

O mercado de educação deve sofrer uma disrupção do seu modelo de negócios pela Internet nos moldes do que já aconteceu com a indústria fonográfica e editorial, hoje em processo de reconstrução devido à digitalização e dos novos mecanismos de compartilhamento de conteúdo.

Bob Metcalfe.

A previsão é de Bob Metcalfe, um dos inventores da arquitetura de rede Ethernet, fundador da 3Com, explicando quais devem ser os mercados que demandarão nos próximos anos conectividade cada vez mais rápida e a necessidade de inovações na área de redes.
 
Na opinião de Metcalfe, a reconstrução do modelo de negócios da área educacional já está em curso através do crescimento da oferta de cursos online abertos e massivos (MOOC, na sigla em inglês) uma tendência na qual já embarcaram líderes do setor como as universidades americanas de Harvard, MIT e Stanford.
 
“A Internet deve acabar com a ignorância. Grandiosa essa frase, não?”, afirmou um bem humorado Metcalfe durante sua palestra de abertura no Ethernet Inovation Summit, evento comemorativo dos 40 anos da criação da Ethernet realizado pela Net Events em parceria com o Xerox Parc, Metro Ethernet Forum e o Computer History Museum em Mountain View, na Califórnia, nesta quarta-feira, 22.
 
Para Metcalfe, o argumento de que o ensino presencial tem algum tipo de vantagem inata e incomparável em relação a diferentes tipo de e-learning simplesmente não se aplica.
 
“Muito antes dos Moocs já houve uma experiência no mesmo sentido: os books. Antes deles, você tinha que escutar a história diretamente do autor ao redor de uma fogueira”, ironizou Metcalfe. “Vejam o tamanho da inovação! Poder ler o Grande Gatsby sem ter conhecido pessoalmente Scott Fitzgerald”.
 
De acordo com Metcalfe, a mudança nos meios pelo qual a educação será oferecida é parte de uma troca de paradigma maior de quando, como e porquê pessoas adquirem novos conhecimentos. 
 
“O aprendizado dos seis aos 25 anos será substituído pela capacitação constante em novas áreas”, analisou o pesquisador, que criou o padrão Ethernet enquanto trabalhava no Xerox Parc, centro de pesquisa onde surgiram inovações como a interface gráfica de sistemas operacionais e o mouse, para citar só dois exemplos.
 
O próprio palestrante não deixa de ser um exemplo: no momento, Metcalfe está participando de um curso em programação em Python do MITx, plataforma de cursos online do MIT ao mesmo tempo que o filho. Por outro lado, é um professor presencial na Universidade do Texas em Austin.
 
A realidade de plataformas globais de ensino já está mais próxima do Brasil do que parece. A Coursera, o maior site do gênero, com 325 cursos - quase um quarto deles na área de TI - tinha  2,8 milhões de participantes em março deste ano.
 
Deles, apenas 27% eram dos Estados Unidos e 41% do resto do mundo, 5% deles brasileiros, mais do que os inscritos de países de língua inglesa como o Reino Unido (4,4%) e Austrália (2,3%) e só atrás da Índia, com 8,8%.
 
Na opinião de Metcalfe, os desdobramentos futuros do universo MOOC dependem da melhoria dos mecanismos de comunicação e avaliação P2P entre os participantes, o que não deixa de ser uma repercussão da chamada Lei de Metcalfe, formulada pelo pesquisador no começo dos anos 80.
 
A regra, criada em relação à expansão de redes de telecomunicações e depois usada para descrever o crescimento de sites de mídia social, afirma simplesmente que o valor de um sistema de comunicação cresce na razão do quadrado do número de usuários do sistema. 
 
* Maurício Renner cobre o Ethernet Inovation Summit à convite da Net Events. Transmissão online está disponível.
Maurício Renner