André Correia apresentou o estudo.

O CIO gaúcho está em apuros:  comanda uma equipe pequena, com orçamento reduzido. Pior do que isso, muitas vezes não conta com ajuda de um planejamento estratégico, um mapeamento de processos ou um escritório de projetos.

Para completar, acha que manda mais no negócio do que realmente manda.

Esse panorama algo duro é o que emerge de uma pesquisa da eCluster com 112 profissionais de TI em empresas do Rio Grande do Sul feita em parceira com a Sucesu-RS, visando estabelecer um perfil dos gestores e das práticas de gestão estratégica de TI no estado.

Começando pelo trivial, mas significativo. Apesar do termo CIO ser usado a torto e a direito, apenas 7% dos respondentes da pesquisa tem o título no seu cartão de visita corporativo.

Uma boa parte fica com o menos glamouroso gerente de TI (38%) e outros tantos (22%) como diretor de TI. Um dado curioso é que 1% é chefe de TI, o que parece mais empolgante que CIO, na verdade.

Saindo do mais anedótico, a pesquisa descobriu que 17% das empresas não tem nenhum tipo de planejamento estratégico e das 46,4% que tem, só o fazem para o corporativo, não para TI.

Mapeamento de processos é outra disciplina deficiente: 36,9% não tem nada, enquanto 18,4% tem para a área de TI e corporativo. Escritórios de projeto estão ausentes de 52% das empresas.
 
Talvez a parte mais preocupante da pesquisa apresentada no Comitê de TI da Câmara Americana de Comércio nesta sexta-feira, 22, seja a distância entre a influência que os profissionais de TI acreditam ter e a que os seus colegas enxergam, um desalinhamento que está na origem de muitas desilusões.

Quanto questionados sobre seu poder de decisão nas organizações nas quais trabalhavam, 53% dos profissionais de TI disseram que era o mesmo dos demais gestores. Só 38% dos outros diretores concorda com isso, no entanto.

Majoritáriamente (58%), os demais gestores acreditam que os diretores de TI apitam menos. Só 42% dos profissionais de TI concordam com essa afirmação.

Ao dar notas do que acreditam ser a importância da área de TI para promover o crescimento das empresas, os profissionais da área se dão uma nota 4,7 numa escala até 5, enquanto os gestores dão uma nota 4. As duas expectativas se alinham em torno de 4 quando o assunto é promover flexibilidade e corte de custos.

Dos executivos que responderam a pesquisa, 35% atua em empresas com faturamento acima de R$ 300 milhões e outros 16,5% ficam na faixa dos R$ 90 milhões aos R$ 300 milhões. Por outro lado, 36% disseram ter orçamentos de TI na faixa dos R$ 600 mil anuais e só 11% entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões.

“Claro que ninguém chega e leva R$ 1 milhão para estabelecer um projeto de governança de TI”, André Correia, ex-CIO da AGCO e um dos consultores da eCluster.

De acordo com Correia o importante é tratar de fazer investimentos onde eles possam fazer a maior diferença. “Muitas vezes se vêm empresas que tem 80% do custo na área de material, mas os projetos de TI estão na área administrativa, que gera 10% do custo”, analisa o consultor.

O evento no Comitê de TI da Câmara Americana contou com as participações dos CIOs Alexandre Ramires de Castro, do Senac-RS, e Luis Antônio Janssen, do Grupo Zaffari, que deram seus pitacos sobre como os profissionais de TI podem evoluir seu papel dentro das organizações.

“Demonstrar a importância de  prática de governça é uma questão de sobrevivência para as áreas de TI. Uma maneira de avançar com isso é mostrar os benefícios que outros tiveram”, apontou Janssen, que está no Grupo Zaffari desde junho e já teve passagens pela direção de TI de empresas como Yara Fertilizantes e Unimed Porto Alegre.

Alexandre Ramires de Castro, que está levando a cabo os primeiros passos de um projeto de governança de TI no Senac-RS, destacou que o caminho passa por uma abordagem incremental do assunto.

“Nós começamos a incluir requisitos ligados à governança dentro dos projetos da TI. Com o tempo, geramos uma massa crítica que permitiu obter o primeiro orçamento exclusivo focado no assunto”, afirma o profissional, que destacou a importância de ter um “discurso unificado” em torno do assunto, desde o atendimento de helpdesk até as apresentações no board de diretores.

A eCluster é uma consultoria formada por Guilherme Lessa, Rogério Xavier, Carlos Leão e André Correia, ex-CIOs com décadas de experiência e passagem por empresas como Matone, PUC-RS, Sesc e AGCO, respectivamente, focando em consultoria, capacitação e pesquisa na área de TI.

Na área de consultoria, a E-Cluster visa trabalhar com aconselhamento para a CIOs e CEOs de empresas sobre planejamento na área de TI, visando ajudar empresas médias a estruturar essas áreas.

Em educação corporativa, a ideia é ofercer cursos para que gestores entendam de acrônimos de três letras da TI ou a relevância prática que decisões na área de segurança podem ter para os seus negócios.