Dara Khosrowshahi, CEO do Uber. Foto: Divulgação.

A Uber Technologies revelou na terça-feira, que pagou US$ 100 mil a hackers para ocultar uma violação de dados que afetou 57 milhões de contas há um ano.

Com a revelação, a empresa também divulgou que demitiu o diretor de segurança Joe Sullivan e o vice-chefe Craig Clark por seus papéis na ação de encobrir a violação.

Os dados violados foram nomes, e-mails e números de telefone de milhões de usuários, além de cerca de 600 mil números de carteiras de motorista dos profissionais cadastrados no sistema.

A empresa afirma que informações financeiras, como números de cartões de crédito, não foram roubadas. Ao descobrir a violação, o Uber diz que identificou os hackers e "obteve garantias" de que eles destruíram os dados roubados após o pagamento.

De acordo com o Uber, os proprietários das contas afetadas pela violação serão notificados nos próximos dias.

Enquanto a escala do ataque é pequena em comparação com divulgações recentes de empresas como Yahoo e Equifax, as tentativas do Uber de manter o assunto em segredo levantam questões sobre quantas pessoas sabiam sobre o assunto e se os líderes ainda na empresa faziam parte do movimento de esconder o tema.

"Nada disto deveria ter acontecido, e não vou inventar desculpas por isso. Embora eu não possa apagar o passado, posso garantir em nome de todos os funcionários da Uber que aprendemos com os nossos erros", diz Dara Khosrowshahi, CEO da empresa. Ele assumiu a companhia há dois meses, muito tempo após o ataque.

A revelação do pagamento aos hackers, conforme lembra o Wall Street Journal, é mais um desafio nas mão do novo CEO, que tenta levar estabilidade ao Uber após um ano de controvérsias e polêmicas que ocorreram durante a liderança de Travis Kalanick, co-fundador da Uber. 

Como CEO da Uber, Khosrowshahi herdou várias investigações federais da empresa por meio de ações voltadas para rivais e reguladores, como uma possível violação da Foreign Corrupt Practices Act.

O Uber também está em uma batalha legal com a Alphabet, que alega que a empresa roubou segredos comerciais relacionados a carros auto-dirigidos. 

A empresa de transporte também tenta se recuperar de reivindicações de uma ex-engenheira que relata que a administração do Uber ignorou suas queixas e de outras mulheres em relação a sexismo e assédio.