Óscar Siqueira, country manager da Solidworks no Brasil. Foto: divulgação.

A Solidworks Brasil deve ter todas as suas oito revendas no Brasil preparadas para trabalhar com os novos softwares focados na parte elétrica dos projetos de manufatura e em design de peças de plástico no primeiro semestre de 2013.

Até o momento, a multinacional já treinou três revendas para trabalhar a linha focada em plásticos – as primeiras licenças já estão sendo vendidas. Quando o processo estiver encerrado, será a vez da parte elétrica.

“Nós queremos que as revendas diversifiquem seu portólio e cresçam junto com a empresa. Não incluiremos novos canais se não for necessário”, explica Óscar Siqueira, country manager da Solidworks no Brasil.

Conhecida pela sua atuação no mercado de CAD, a Solidworks anunciou nos últimos anos soluções de PDM, sustentabilidade, aprovação e visualização de projetos em plataformas móveis que foram incorporadas à oferta dos canais.

As revendas tem respondido bem ao planejamento de Siqueira, abrindo novos escritórios pelo país – a gaúcha SKA começou a atuar no interior de São Paulo e a paulista IST em Santa Catarina – ou fundindo operações, como as mineiras AcessoCom e SixCAD, hoje atuando como a SixCom.

O quando a entrada nas áreas de plásticos e elétrica, anunciada em outubro do ano passado, pode significar em novos negócios ainda não está claro – ou a diretoria da empresa no país prefere não entregar o ouro.

A área elétrica é atendida por softwares específicos – a estimativa é que 60% dos clientes tenham algum software do tipo – ou terceirizam essa parte do design.

Na área de plásticos, a SolidWorks entrou em concorrência direta com a Autodesk. A concorrente adquiriu a Moldflow em 2008 por US$ 297 milhões.

A Solidworks está em período de silêncio antes da divulgação de resultados. Siqueira revela que o crescimento em 2012 ficou a baixo da média dos últimos anos, na casa de um dígito depois de ficar nos 20% e 40% nos últimos dois anos.

“Nós não esperamos um crescimento contínuo dos mercados emergentes. É lógico que haverá altos e baixos em uma trajetória ascendente”, analisa Ken Clayton, vice presidente de vendas mundiais da Solidworks.

Tendo em conta o baixo crescimento do PIB, o resultado não é ruim, avalia Siqueira. O executivo destaca que o crescimento está acima da média do mercado e é composto em boa parte por ganho de participação dos dos concorrentes, com conversões de “centenas de licenças”.

Não existem levantamentos públicos disponíveis sobre o mercado de CAD no Brasil, mas a movimentação de profissionais, pelo menos na Autodesk, pode indicar que a gestão da concorrente está menos tranquila que Clayton em relação ao desempenho do Brasil.

Ao longo do ano, deixaram a operação brasileira o country manager Acir Marteleto e Martin Moreno, responsável pela América Latina, ambos profissionais com mais de uma década de empresa.

A PARS, uma das maiores revendas Autodesk no país, foi comprada pelo grupo chileno Sonda, que não tinha até então uma atuação forte na área de design.

A Solidworks não passou o ano imune aos ataques da concorrência, perdendo a Algetec, uma pequena revenda baiana, para a Siemens PLM.

A multinacional alemã vinha aproveitando a incerteza sobre o lançamento de uma nova versão do Solidworks baseado no kernel CGM da Dassault Systemes, divulgando cases de migração e fazendo do tema um assunto frequente em seus eventos.

Com o lançamento do Solidworks Mechanical Conceptual, uma ferramenta de design conceitual baseada no CGM que não substitui a oferta tradicional baseada no Parasolid, essa linha de atuação deve ficar enfraquecida.

Maurício Renner cobre a Solidworks World em Orlando à convite da Solidworks.