Zero Hora é uma das empresas emblemáticas da RBS. Foto: flickr.com/photos/eumanuxa/

As divisões donas de investimentos no meio digital da RBS ainda dão prejuízo para o grupo de comunicação gaúcho.

É o que aponta o balanço divulgado pela empresa na segunda-feira, 20.

No entanto, é complicado avaliar o verdadeiro peso dos negócios digitais no grupo, pois eles estão misturados em divisões nos quais estão também os empreendimentos tradicionais.

Assim, a RBS – Zero Hora Editora Jornalística S/A, empresa que reúne as operações dos oito jornais, eventos (Engage) e investimentos digitais do grupo teve um prejuízo de R$ 17,5 milhões em 2014.

O resultado é uma queda de quase 50% frente aos R$ 30,5 milhões do ano passado, diminuição que é atribuída pelo grupo os cortes feitos na operação de jornais em 2014.

Ao todo, essa divisão teve R$ 702,1 milhões em faturamento, com crescimento de 2,12% em relação a 2013. 

O resultado da RBS Mídia, Digital e Participações S/A, holding que investe em jornais, eventos, mídia digital, inovação e novas tecnologias, investimentos em rádios e empresas investidas pela e.Bricks, melhorou quase 200% em relação ao ano anterior, com a diminuição de seu prejuízo de R$ 29,6 milhões em 2013 para R$ 10,4 milhões em 2014.

O faturamento consolidado, representado pelo somatório das holdings RBS Mídias, Digital e Participações S/A e RBS TV Comunicações S/A foi de R$ 1,5 bilhão, com crescimento de 18,67% em relação a 2013. 

Já o lucro líquido foi de R$ 102,4 milhões, apresentando 31,66% de crescimento quando comparado ao ano anterior.

A diminuição do prejuízo com os novos negócios, enquanto os empreendimentos tradicionais seguem gerando caixa, parece sinalizar que a reestruturação da empresa, tocada pela Galeazzi & Associados, consultoria conhecida por implementar estratégias agressivas de cortes de custos nos seus clientes está sendo bem sucedida.

A empresa demitiu 130 profissionais em agosto do ano passado, principalmente nas redações dos seus jornais

Ao mesmo tempo, anunciou que o centro no parque tecnológico da PUC-RS, em Porto Alegre, focado em soluções digitais os produtos da RBS, em especial para os jornais, deveria chegar ao final do ano com 100 colaboradores.

Ao todo, as participações adquiridas pela RBS em empresas do meio digital nos últimos anos custaram R$ 300 milhões. Elas incluem empresas de diversos segmentos diferentes, da agência Predicta aos sites de entretenimento Guia da Semana, ObaOba e Hagah, além das companhias de marketing e publicidade Grupo.Mobi e Hi-Midia e e-commerce como o citado Wine e a Lets, uma loja de roupas virtual.