Cláudio Carrara, VP da Meta. Foto: Arthur Calazans.

As cooperativas agropecuárias gaúchas, um setor poderoso na economia do estado, deram um passo importante em um movimento conjunto de adoção de tecnologia, em um projeto desenvolvido pela Meta.

A Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul apresentou nesta semana o SmartCoop, um investimento de R$ 4,5 milhões visando digitalizar o trabalho de 173 mil produtores rurais na ponta do processo.

Eles produzem para 30 cooperativas, sendo donos no total de 3,5 milhões de hectares que, cultivados, equivalem a 50% da produção de soja, 60% da de trigo e 45% da de leite do Rio Grande do Sul.

O SmartCoop é um  sistemas de gestão rural concentrado em um aplicativo, através do qual o produtor pode ter acesso a informações sobre a sua propriedade, como estimativas de insumos necessários; mecanismos de venda da produção em diferentes modalidades e por fim a aquisição de produtos de maneira agregada entre diversos participantes.

A aplicação digitaliza o modo de atuação tradicional das cooperativas, um tipo de empreendimento que é a base de boa parte do agronegócio no Sul do país e hoje conta com diversos integrantes faturando bilhões de reais por ano.

Um exemplo da trajetória dessas organizações é a Cotrijal, cooperativa fundada há 63 anos na pequena Não Me Toque, que fechou 2020 com um faturamento recorde de R$ 2,4 bilhões de faturamento, crescimento de 5% em relação ao ano anterior.

Muitas dessas cooperativas já investem pesado em tecnologia para as suas operações internas. A Cotrijal não faz muito adquiriu armazenagem Flash para rodar seus sistemas internos, por exemplo.

Nos últimos anos, grandes projetos de migração para sistemas de gestão da SAP se tornaram comuns (a Meta é também uma grande parceira da multinacional alemã). 

O que estava faltando era colocar a tecnologia na mão do produtor, em um momento em que novas gerações de produtores rurais, muito mais familiarizados com tecnologia, estão assumindo as propriedades dos seus pais.

"A conexão de todos os atores que fazem parte da rotina de uma cooperativa e dentro de uma perspectiva de rede – de compra conjunta, de ganho de escala, de aproveitamento de oportunidades, de logística – tudo isso está presente na plataforma. É a essência do que é a cooperativa, mas numa versão digital e compartilhada”, afirma o vice-presidente da Meta, Claudio Carrara.

No desenvolvimento da plataforma, que durou seis meses, a Meta apostou em construir uma plataforma intuitiva, com conceitos de design e experiência de usuário que se assemelham a outros sistemas os usuários estão familiarizados.

Em nota, a Meta não chega a falar quais foram esses benchmarks, mas quem conhece a realidade do interior do Rio Grande do Sul pode apostar em algo entre o WhatsApp e o Facebook, além de alguns aplicativos que bancos e cooperativas já vinham disponibilizando nos últimos anos. 

“Há muita tecnologia acontecendo. Nossa missão com a SmartCoop foi diminuir esse hiato de tecnologia que existe entre grandes e pequenos produtores”, esclarece o coordenador de TI do Projeto Smartcoop, Diego Boelter, que também atua na área de tecnologia da Cotripal, uma cooperativa de Panambi.

De acordo com Boelter, com a ajuda de todos os seus usuários, a equipe de TI seguirá aperfeiçoando constantemente o sistema.  

“Começamos a nos posicionar como agentes da transformação digital, parceira nesse processo não apenas no desenvolvimento do produto, mas um aliado estratégico para ajudar outras empresas nesse processo já bastante acelerado na pandemia”, destacou o executivo.

No portfólio da Meta estão projetos de transformação digital, consultoria estratégica, células de desenvolvimento de software, sustentação de aplicações, BPO, bem como licenciamento e implantação de SAP.

No final de 2017, a Meta estabeleceu o objetivo de duplicar de tamanho nos três anos seguintes, um plano no qual investiu R$ 24 milhões em treinamento, novas operações e a criação de ofertas especiais, como por exemplo um período de testes para o S/4.

Desde então, a empresa vem em alta, tendo crescido 25% em 2018 e 49% em 2019. Para o período entre 2021 e 2023 a ideia é duplicar de tamanho outra vez. 

A Meta não abre números, mas é fácil supor que, caso obtida, a nova duplicação colocaria a empresa entre as maiores do país na área de tecnologia.