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Às vezes nos perguntamos – como será o amanhã, para me orientar hoje? O que fazer, hoje, para estar o melhor preparado possível para qualquer adversidade futura? Estas perguntas são centrais para nós humanos, afinal somos o único animal que descobriu o futuro. 

Há de se argumentar que a consciência da inevitabilidade de um amanhã, de um depois de amanhã e assim por diante foi fundamental na trajetória da humanidade e nos permitiu chegar aonde estamos.

No entanto, caso tivéssemos uma melhor análise do presente e uma melhor capacidade de prever o futuro, poderíamos ter evitado grandes catástrofes que assolaram a humanidade ao longo da história.   

Tendo isso em vista, surgiram, ao longo do século XX, os conceitos de sinais fortes e sinais fracos. Este tema tem sido estudado por vários autores, entre eles Shoemaker e Day. Esses autores partem do pressuposto de que mudanças significativas e/ou repentinas não acontecem sem avisos.

Os sinais fortes são aparentes, visíveis e amplamente comentados. São tendências que geralmente chegam até nós através de mídias, e sobre as quais já foram feitas análises e a utilidade ou prevenção já vem sendo aplicadas. São fenômenos conhecidos cujo futuro previsto é quase inevitável.

É necessário que aconteça algo muito significativo para que os sinais fortes não se concretizem.

Os sinais fracos, por outro lado, são sutis. São os primeiros punhados de neve que precedem uma avalanche. São poucos aqueles que percebem sinais fracos, menos ainda aqueles que os levam a sério e pouquíssimos os que fazem algo a respeito.

Esses últimos, caso tenham os insights corretos, saem na frente com muita vantagem.

Carros elétricos são um bom exemplo para entender a dinâmica desses conceitos - A popularidade dos veículos da Tesla, as regulamentações e incentivos fiscais na Europa e nos Estados Unidos, o barateamento de fontes de energia renovável e as recentes declarações por diversas gigantes da indústria automobilística da intenção de ter, no futuro, todos seus veículos elétricos são sinais fortes de que carros elétricos vieram para ficar e sua popularidade no futuro é basicamente inevitável.

Essas informações são constantemente discutidas em diversos canais de mídia ao redor do mundo e essa tendência é amplamente aceita como certa. Resumindo, não é segredo para ninguém.

Até cinco anos atrás, no entanto, o cenário era bem diferente. Sobre o futuro dos carros elétricos havia somente sinais fracos: Pesquisas científicas sobre o perigo da emissão de CO2 por veículos movidos por combustíveis tradicionais, desde a qualidade do ar de grandes centros urbanos até o aquecimento global e o surgimento dos primeiros carros elétricos comercialmente viáveis, como o Toyota Prius.

Elon Musk foi o grande visionário desses sinais. Ele conseguiu, pela primeira vez, produzir veículos elétricos em larga escala e torná-los amplamente populares.

Musk percebeu os sinais fracos, agiu de acordo com sua visão e saiu na frente. A Tesla é hoje a fabricante de veículos com maior valor de mercado no mundo e está anos na frente de qualquer outra montadora do ramo quando o assunto é a produção de veículos elétricos.

*Por Nei Tremarin, professor e coordenador de cursos de MBA e Pós-Graduação na FIA Business School.