Ricardo Felizzola. Foto: Baguete Diário

A Teikon, empresa gaúcha especializada na fabricação de produtos eletrônicos, está concentrando suas atividades em São Paulo e no Rio Grande do Sul, com o fechamento das unidades em Curitiba e Manaus.

Na capital paranaense, a unidade existia desde maio de 2011. Em Manaus, desde outubro de 2007.

As medidas fazem parte do novo plano estratégico da companhia, parte da Parit Participações, holding de investimentos também composta pela gaúcha Altus e HT Micron, joint venture com a coreana Hana Micron.

Um dos focos, diz Ricardo Felizzola, presidente da Parit, será nos produtos vindos da tríade que compõe o grupo, entre eles, cartões de memória.

“Estamos passando, ainda nesse ano, de 70 mil para 200 mil cartões de memória de 4 GB na Teikon, graças ao aumento na produção da HT Micron”, diz o empresário, palestrante do Tá na Mesa da Federasul desta quarta-feira, 23.

NADA COMO ENCAPSULAR EM CASA
O surgimento da HT Micron, que deve encapsular 3 milhões de chips ao mês a partir de outubro com a ampliação da fábrica no Tecnosinos, em São Leopoldo, de 300 m2 para 1.000 m2, está impulsionando o redesenho nas atividades da Pariti.

A empresa deverá fortalecer-se sobre o tripé desenho de produto (Altus), encapsulamento de chips (HT Micron) e manufatura (Teikon).

Assim, diz Felizzola, a Teikon passará a concentrar-se mais na produção de componentes para a própria Parit, e não tanto para terceiros, como a Itautec, Positivo e Motorola.

“Seguiremos atendendo (terceiros), mas o foco será manufaturar para a gente. Queremos criar um hub de microeletrônica com essas empresas”, diz o executivo.

O projeto da HT Micron prevê investimento de US$ 200 milhões em cinco anos, e hoje recebe os wafers de fora do país e os encapsula.

Em setembro, a empresa lançará os componentes comercialmente.

ULTRABOOKS NO FUTURO
Os planos para a empresa incluem até a produção de componentes para ultrabooks – computadores portáteis de alto desempenho caracterizados pela espessura mais fina, o que exige peças resistentes e adaptáveis a um novo sistema de resfriamento.

Um dos clientes atuais da Teikon – e da HT Micron por tabela –, a Dell, já possui um modelo de ultrabook que deve começar a ser produzido nacionalmente no segundo semestre de 2012.

“Ainda estamos estudando essa movimentação, lá para 2013 ou 2014”, diz Felizzola.

A diversificação deverá multiplicar por 10 os ganhos da HT até 2014, para R$ 500 milhões. Além disso, a joint venture já larga com um share de 5% a 10% de mercado, segundo o executivo.

Do outro lado do grupo, as cifras também são promissoras.

A Teikon deverá fechar o ano com R$ 180 milhões de receita, apesar de estar em processo de “esfriamento”, diz Felizzola.

Já a Altus tem contratos milionários com a Petrobras, a ponto de ter criado uma unidade nova de 6.000 m2 em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana, com 129 empregados focados na parte de eletrônica para as plataformas.

A empresa deve chegar a R$ 130 milhões nesse ano.