Jesus Zabalza, do Santander, inaugura o data center com o governador Geraldo Alkmin e o prefeito Jonas Donizette.

O Santander deve manter o data center da GetNet em Campo Bom, na região metropolitana de Porto Alegre, pelo menos por enquanto.

A informação é do vice-presidente executivo sênior do Santander, José Paiva Ferreira, que participou nesta segunda-feira, 23, da inauguração do novo data center do banco espanhol no Brasil em Campinas.

O novo centro consumiu um investimento de R$ 1,1 bilhão, e, segundo o banco é o primeiro a ser certificado Tier 4 na América Latina.

O data center de Campinas tem 800 mil metros quadrados e é parte de uma rede de cinco centros de dados mundiais que o banco conta ao redor do globo. Os outros centros ficam no México, Reino Unido e Espanha, onde existem duas estruturas.

Com a nova área, o Santander está desabilitando seus centros no centro de São Paulo e em Santo Amaro. Cerca de sessenta técnicos e mais 180 funcionários trabalharão no novo ambiente, assim como mais 400 pessoas que terão acesso ao sistema de forma remota.

Em tese, uma estrutura desse tipo poderia fácilmente abrigar a estrutura existente em Campo Bom, um centro Tier 3 [o único desse nível no Rio Grande do Sul] inaugurado pela GetNet em agosto de 2013 a um custo de R$ 10 milhões.

Mas não é isso que deve acontecer.  "As operações e os servidores da GetNet continuarão a serem feitas na sede da empresa em Campo Bom. Por enquanto não temos planos de absorver essa carga", afirmou Ferreira.

Parecem ser boas notícias para a TI do Rio Grande do Sul, que tem na GetNet um dos grandes compradores locais. O orçamento total de tecnologia para 2012 era de R$ 200 milhões.

A compra da empresa gaúcha de processamento de cartões custou um pouco menos que o data center paulista: R$ 1,104 bilhão.

O DATA CENTER PAULISTA

Independente do futuro das estruturas da GetNet, a Santander inaugurou em Campinas um centro de dados com três vezes mais capacidade do que o disponível anteriormente para dar suporte ao seu crescimento futuro no país.

"Daqui é possível assumir o controle de qualquer agência do banco e também destes outros data centers, caso haja a necessidade", destaca Ferreira.

No total, atualmente a instalação tem capacidade de suportar um armazenamento de cerca de 5 petabytes em storage virtualizado, resultando em uma média de 210 milhões de transações por dia. Ainda assim, o novo local pode ter sua capacidade atual expandida em até cinco vezes.

"Esta estrutura garante plena capacidade para suportar a expansão comercial que iniciamos e nos permite acelerar ainda mais os planos de crescimento", afirma Jesus Zabalza, presidente do Santander Brasil.

Embora Zabalza não tenha divulgados dados sobre metas ou planos de expansão do banco para acompanhar este crescimento em transações, o executivo destaca que a instituição abriu cerca de sessenta novas agências nos últimos doze meses.

"Nosso foco, além da expansão física, também contempla serviços como internet banking, mobilidade, contact center e caixas eletrônicos, operações que terão maior prontidão agora cobertos pelo novo centro de dados", afirmou o presidente.

Para garantir um funcionamento sem interrupções, o data center opera com uma estrutura no formato de twin compliance, com dois data centers operando simultaneamente e rodando operações de forma duplicada.

"Desta forma garantimos que nenhuma operação seja interrompida. Se um servidor cair, no outro a operação continua rodando normalmente. Isso também reduz a dependência em backup", explica Ferreira.

Com o selo Tier 4, o vice-presidente destaca que a probabilidade de queda fica ainda menor. Segundo estabelecido pelo Uptime Institute, uma das regras para a certificação é ter uma taxa de 99,9995% de disponibilidade, com uma tempo de queda de 24 minutos em um ano.

Segundo o banco, já que na prática o complexo compreende dois data centers idênticos, o tempo de queda anual estimado na estrutura montada no centro de dados em Campinas cai para apenas 79 milissegundos.

Além disso, a construção física do espaço onde ficam os servidores é diferenciado. Ele foi arquitetado no formato de bunker semienterrado, com reforços contra interpéries climáticas e ataques físicos.

"Por exemplo, se um avião caísse sobre algum dos centros, o dano seria mínimo", explica Ferreira, que também destacou recursos de otimização energética do local, que conta uma uma própria subestação, capaz de gerar 50 mil Kwz, quantidade capaz de atender uma cidade de 200 mil habitantes.

Com o novo data center, o Santander marca o Brasil como o primeiro país da América Latina com um centro de dados com a maior certificação alcançável. E Ferreira completa:

"Embora temos outros quatro data centers globais com funcionamento semelhante ao daqui de Campinas, este é o primeiro do Santander em todo o mundo a obter a certificação Tier 4", afirma o vice-presidente.

No geral, ao redor do mundo existem apenas 14 centros de dados Tier IV, a maioria deles ligados aos setores de telecomunicação e defesa. Segundo Zabalza, o alto investimento em tecnologia para o banco tem a ver com a maturidade do setor financeiro no país.

"Temos uma estratégia de médio e longo prazo e preparamos nossa infraestrutura para novos ciclos de expansão comercial no país, que tem grandes concorrentes no setor, tanto em serviço quanto em tecnologia.

Atualmente, o Santander ocupa a terceira colocação no ranking dos bancos nacionais, com cerca de 30 milhões de clientes, ficando atrás do Itaú e Bradesco. Em todo o mundo, a operação brasileira do Santander fica apenas atrás do Reino Unido.

* Leandro Souza viajou à Campinas a convite do Santander Brasil