Lucas Sperb em NY com o Google Glass. Foto: divulgação.

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Lucas Sperb, o jovem de Camaquã que foi contemplado pelo Google com o direito de ser o primeiro brasileiro - à parte do presidente do Google Brasil - a ter o Google Glass, realizou o seu sonho de ir aos Estados Unidos buscar o cobiçado óculos de realidade aumentada.

Como foi publicado no Baguete no início de maio, ele teve seu projeto selecionado pela gigante da nuvem na iniciativa "If I Had Glass", em que o Google selecionou no Twitter as melhores ideias para o uso dos óculos e lhe garantiu o direito de comprar uma unidade do gadget por US$ 1,5 mil.

No entanto, o rapaz ainda precisava do dinheiro para a viagem - algo em torno de R$ 6 mil - que veio a ser bancado pela Feevale, onde Lucas cursa biomedicina, e pelo Santander.

No início de julho, Sperb visitou a Big Apple, onde passou na sede do Google para retirar o brinquedinho e conheceu de perto o projeto Glass, conversando com engenheiros da empresa e fazendo as primeiras configurações no aparelho.

"Foi bem interessante saber mais do plano da empresa para o Glass. A ideia deles é de não fazer dos óculos um produto de nicho. Eles estão trabalhando para que ele se torne o próximo smartphone", frisou.

Além de adquirir os óculos, Sperg foi liberado pelo Google para acessar a mirror API do Glass na nuvem, podendo enviar informações para o sistema do gadget, testando aplicações com o acompanhamento da fabricante.

Na terra do Tio Sam, o estudante também usou extensivamente os óculos, usando recursos como telefone, GPS, redes sociais, consulta de notícias e outros apps, com o Glass conectado via bluetooth à conexão 3G do smartphone.

"O uso dos óculos é bem tranquilo, tanto para fazer pesquisas, quanto para ler notícias, por exemplo. Não chega a ser intrusivo. Em alguns momentos, quando estava concentrado em outras atividades, nem percebi que tinha atualização de dados no visor do Glass", explicou.

DE VOLTA

Sperb desembarcou de volta ao estado na segunda-feira, 22, e já botou o óculos para funcionar, mostrando para amigos interessados e para a imprensa. No entanto, para sair na rua com ele, como fez nos EUA, o negócio é outro.

"Em New York e Boston, as cidades que passei, as pessoas me paravam na rua para perguntar como funcionava o óculos. Já por aqui, tem muita gente que nem sabe o que é o Glass. Ainda assim, tenho um certo receio em sair com ele pela rua", admite.

Ainda nesta semana, ele terá reuniões com a Feevale e o Santander para discutir seus próximos passos envolvendo o uso do Glass. Por enquanto, o jovem ainda está avaliando as diversas possibilidades.

O plano é criar uma startup para desenvolver aplicações para o Glass e, segundo destaca Sperb, a Feevale já demonstrou interesse em abrigar seu projeto dentro de sua Incubadora Tecnológica.

"Por enquanto ainda não tem nada definido. Existem várias possibilidades para o uso do Glass, e preciso estudar bem cada uma delas", afirma, cautelosamente.

Sperb não descarta a possibilidade de voltar ao exterior para tocar seus projetos, atendendo inclusive a uma orientação do Google, que prefere que os criadores de projetos para os óculos se mantenham próximos.

Mesmo assim, o rapaz prefere não dar maiores detalhes. Para ele, o que importa no momento é que o Google Glass está na mão.

"A primeira etapa, que era pegar os óculos, está concluída. As próximas etapas, que envolvem a parte empresarial, ainda vamos avaliar e definir", finaliza.