Torres de celular estão virando uma commodity. Foto: Pexels.

A Highline, uma companhia que opera torres de celulares, pode passar a perna na Vivo, TIM e Claro, as três maiores operadoras de telecomunicações do país, e comprar o negócio de telefonia móvel da Oi.

Na noite de quarta-feira, 22, a Oi anunciou que havia fechado um acordo de exclusividade com a Highline, que teria feito a melhor oferta até o momento, oferecendo um valor não revelado, mas acima do preço mínimo de R$ 15 bilhões.

No final de semana,  Claro, TIM e a Vivo haviam feito uma oferta conjunta pela operação móvel da Oi, que seria depois dividida entre as empresas.

As companhias, talvez pensando que não havia outro interessado, colocaram como condição serem como “stalking horses”, ou “primeiras proponentes”. 

Isso significa que elas ainda podem cobrir a oferta da Highline, que em princípio tem até 3 de agosto para fechar o negócio com a Oi. Esse prazo pode ser prorrogado.

O negócio da Highline é operar 1,3 mil torres de celulares para operadoras e ela já havia feito uma oferta de R$ 1 bilhão pelas torres da Oi.

Agora, no entanto, a Highline surpreendeu, se dispondo a levar também os 36,7 milhões de clientes da Oi, ou 16,28% do mercado total.

Segundo a análise do NeoFeed, o plano da Highline é se posicionar como uma empresa de infraestrutura com o conceito de rede neutra, da mesma forma que atua com as torres.

Já existe um movimento de mercado no sentido de comoditizar as torres. Vivo e TIM fizeram acordo para compartilhar suas redes de celular em mais de mil cidades neste ano.

Já os clientes de telefonia móvel da Oi, que não se encaixam nesse modelo, seriam oferecidos para Vivo, a TIM e a Claro.

Na avaliação do NeoFeed, além de receber mais dinheiro (as teles deram apenas o lance mínimo) o negócio com a Highline também pode ser mais fácil de aprovar do ponto de vista regulatório.

A Highline tem por trás o Digital Colony, um fundo de private equity que comprou a empresa do Patria Investimentos no ano passado.

O fundo é dono de mais de 90 data centers, tem mais de 2 mil quilômetros de fibra óptica na Europa e Américas e 350 mil pontos de torres de celulares.

O Brasil está recebendo atenções. Em abril, o Colony comprou a operação de data center do UOL, conhecida como UOL Diveo, a partir da qual está montando um novo player no mercado brasileiro, a Scala Data Centers S/A.

De acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg, o fundo avaliou os ativos adquiridos entre US$ 300 e US$ 400 milhões.

O novo Scala Data Centers S/A é liderado por Marcos Peigo, ex-VP de Global Markets da IBM para América Latina, e, mais importante ex-COO da própria UOL Diveo entre 2015 e 2017.

Peigo foi fundador da Solvo, uma companhia de serviços gerenciados focada em infraestrutura de missão crítica adquirida pela UOL Diveo em 2014.