Diego Dzodan. Foto: Baguete.

Para a concorrência no setor de ERP para PMEs no Brasil, onde tem 22% de market share entre clientes de 160 a 600 computadores, metade da fatia da paulista Totvs (dados da FGV), a SAP tem uma palavra: pulverizar. 

Conforme Diego Dzodan, presidente da SAP Brasil desde julho deste ano, a companhia não está preocupada com a diferença de share, que ele considera relativa.

“Se se falasse em receita, a SAP seria líder, mas se fala em volume de clientes, e nisso trabalharemos para crescer por meio da pulverização do atendimento, por meio de canais que vamos buscar cada vez mais, principalmente em cidades menores”, contou o executivo durante o SAP Partner Summit, nesta quinta-feira, 23, no México.

Para Dzodan, é importante estar próximo aos clientes pequenos, mas é fundamental dar-lhes a confiança de que contam com um fornecedor forte, não sujeito às turbulências do mercado.

“O cliente pequeno quer o quê? Crescer. E a ele é essencial ter por perto um parceiro que saiba que é forte, que tem escala para investir em soluções, em atendimento, em suporte, e que sempre o terá”, comentou o presidente.

Investimento em soluções, por sinal, é a estratégia-chave da SAP para crescer em todos os mercados. Em específico no SMB, Dzodan tem um recado.

Ele analisa que, em média, as empresas de tecnologia investem de 15% a 25% do orçamento a P&D.

“Sendo assim, se você pensar que a SAP é uma empresa de US$ 20 bilhões, vai perceber que nossa capacidade de investimento é muito maior. E por que podemos investir? Porque temos escala, porque somos grandes. E se você investe mais, sua chance de oferecer um produto melhor é maior”, alfinetou.

Como exemplo, ele cita a estrela da SAP para o setor de PMEs: o ERP Business One.

Dzodan explica que, ao passo que diversos concorrentes maiores e menores anunciam versões mobile de seus ERPs como algo novo, o B1 já o é há anos, contando com atualizações rotineiras – só na aplicação para iPhone, por exemplo, o sistema já soma 50 mil downloads.

Há cerca de seis meses, o software também ganhou uma versão em SaaS, o BI on the Cloud.

“O primeiro país onde lançamos esta versão na América Latina foi o Brasil, e isso porque o mercado é particularmente expressivo, o que garante ganhos de escala que nos permitem ampliar a oferta de cloud para pequenas empresas”, comentou o presidente.

E o B1 acaba de ganhar um novo incremento: agora, está disponível para rodar em Hana, a plataforma super-poderosa de processamento de base de dados da SAP.

Tanto no SaaS quanto no Hana, a multi alemã já tem contratos no Brasil, cujos nomes não divulga, por enquanto.

Para Dzodan, o crescimento no país é não só previsível, como inevitável.

“O Brasil é de longe um dos mercados mais inovadores que conhecemos. É pura inovação. Qualquer novidade que apareça no mundo, aqui o interesse é maior, os profissionais e os consumidores são muito ávidos. É um mercado em crescimento constante”, destacou.

Para aproveitar esta “avidez”, outro mercado em que a SAP aposta é o governo, no qual sua penetração no país ainda é tímida.

Um quadro que Dzodan pretende mudar com ofertas bem focadas.

“Nosso ERP tem especificidades para execução orçamentária de governo que não se encontram em outros. Assim também é na saúde, setor para o qual oferecemos soluções que permite gerir programas sociais, tipos de atendimento, ações de instituições e profissionais muito específicas”, explicou.

A cena fiscal e tributária brasileira, que Dzodan batiza de “complexíssima”, também está na mira.

“Temos blocos de funcionalidades, componentes para possibilitar a aplicação de políticas de gestão fiscal muito confiáveis. Nossa ferramenta realiza, por exemplo, estimativas dos impostos que pessoas e empresas precisarão pagar, levando em conta variáveis de setor, volume”, detalhou, sem esquecer da bola da vez: “E tudo com a rapidez e performance que agora pode ser alcançada com o Hana”, finalizou.

BRASIL, A CASA DO ARGENTINO
Dzodan é argentino, nascido em Buenos Aires. Mesmo assim, diz que trabalhar no Brasil, onde agora fica sediado em São Paulo, é como “voltar para casa”.

O executivo entrou na SAP há oito anos, quando foi o precursor da área de Business Consulting, voltada a análises de soluções que integrem a TI aos negócios de cada cliente.

“Eu iniciei esta área na América Latina, e com isso trabalhei com o Brasil”, destaca.

Depois, foi contratado como country manager para Colômbia e Equador, e em seguida foi convidado pelo ex-presidente da SAP Brasil, Luiz Verdi, para assumir a vice presidência Comercial no país, onde ficou entre 2009 e 2010.

Dali, saiu para a presidência da SAP México e América Central, que acaba de deixar para assumir o Brasil.

“Estou muito feliz. Para mim, foi como um sentimento de voltar à casa”, conta.

Gláucia Civa cobre o SAP Partner Summit, em Cancun, a convite da SAP.