Ballmer pensou e decidiu. Vai sair. Foto: divulgação.

Essa pegou todo mundo desprevenido. Steve Ballmer, CEO da Microsoft, anunciou nesta sexta-feira, 23, que deixará o seu cargo dentro de 12 meses.

Ballmer, que ocupava a cadeira de CEO desde 2000, após a saída de Bill Gates, anunciou seu plano através de nota no site da empresa. O prazo para a saída foi definido para a escolha do substituto na função.

A notícia vem em um momento de reestruturação da companhia, que no mês passado divulgou planos de unificação de suas operações.

Inclusive, o próprio Ballmer puxou a iniciativa, em uma carta aberta que sugeria o estabelecimento de "Uma Microsoft".

Segundo explica Baller na nota, toda transição deste tipo é complicada, mas este é o momento ideal, embarcando em uma nova organização e se ancorando nas decisões dos líderes senior da companhia.

"Meu plano original envolvia minha saída em meio a transformação da empresa em uma companhia de dispositivos e serviços. Precisamos de um CEO que possa trabalhar nesta nova direção a longo prazo", explicou o CEO.

Segundo informações do Financial Times, o Conselho de Diretores da empresa definiu um comitê especial - presidido pelo diretor do Conselho, John Thompson, e que conta com a ex-CEO Bill Gates - para coordenar o processo de escolha do novo presidente.

O comitê extraordinário está trabalhando com a consultoria de recrutamento Heidrick & Struggles International Inc., que avaliará candidatos americanos e internacionais aptos para assumirem o comando da Microsoft.

“Como integrante do comitê de planejamento de sucessão, trabalharei próximo dos outros membros do conselhor para definir um grande novo CEO. Estamos satisfeitos de contar com Steve no cargo enquanto o novo CEO é escolhido", afirmou Bill Gates.

POLÊMICO

Na liderança da Microsoft, Ballmer foi responsável por decisões polêmicas, resultando em uma relação conturbada com rivais de mercado e os próprios acionistas.

Em 2011, investidores da empresa de Redmond demandaram a saída do presidente executivo, afirmando que a companhia havia "parado no tempo" com sua administração.

Traduzindo em números, desde o início da gestão de Ballmer, a MS perdeu cerca de 45% de seu valor de mercado. Com a notícia da sua saída, nesta sexta-feira , as ações da Microsoft registraram uma alta de 8%.

Segundo analistas, a Microsoft, que liderou com sobras o mercado de sistemas operacionais, demorou para se atualizar em meio à expansão do mercado de dispositivos móveis e cloud computing, com experiências mal sucedidas no segmento.

Segundo David Einhorn, presidente do fundo Greenlight Capital que puxou o protesto, a empresa não aproveitou a tendência da computação em nuvem e mobilidade.

Em 2012, a empresa tentou reagir, com o lançamento do Windows 8 e sua investida em dispositivos móveis, com a chegada do tablet Surface. Não foi o suficiente, já que o encalhe do aparelho nas prateleiras rendeu um prejuízo de cerca de US$ 1 bilhão para a empresa.

Além disso, o temperamento explosivo e turrão do CEO no comando da gigante de Redmond acumulou diversos adversários nos últimos anos, entre investidores e ex-funcionários.

Joachim Kempin, antigo executivo sênior da Microsoft, afirmou que Ballmer não é o líder certo para a empresa. Segundo o ex-funcionário, o atual presidente impôs seu domínio forçando a saída de qualquer executivo em ascensão que desafiasse sua autoridade.

O FUTURO?

Ballmer, atualmente com 57 anos, não deu informações sobre o futuro que seguirá após abandonar a cadeira de CEO e a Microsoft, empresa onde trabalha desde 1980.

Ainda nos primórdios da companhia, Ballmer aceitou um salário de US$ 50 mil, abandonando o curso de direito em Harvard e sua posição no time de futebol americano da universidade para se juntar aos nerds e se tornar o funcionário número 30 da Microsoft.

Agora, 33 anos depois, não está claro qual deve ser o futuro de Ballmer. Talvez o executivo tenha planos de se juntar a outro ex-Microsoft aposentado e viver o sonho, aproveitando sua terceira idade em projetos pessoais.

O exemplo é do co-fundador da empresa, Paul Allen, que saiu da companhia para aparentemente só fazer o que dá na telha.

Allen pegou sua fortuna e investiu em projetos diversificados, desde fundos de investimento para inovação - com a sua empresa Vulcan Capital - como em clubes esportivos, adquirindo o Portland Trailblazers, time da NBA, o Seattle Seahawks, time da NFL, e Seattle Sounders, time da Major League Soccer.

Segundo notícias divulgadas no início do ano, Ballmer também pode seguir os passos do co-fundador de sua empresa, pelo menos na parte esportiva.

Recentemente, o executivo foi envolvido em uma possível negociação de compra do Sacramento Kings, time da NBA, e sua realocação para Seattle, sem time de basquete desde a venda dos Supersonics, que foi para Oklahoma e virou o Oklahoma City Thunder.

Ballmer liderou um grupo de investidores que investiu na aquisição do Kings por US$ 500 milhões. No entanto, a negociação não envoluiu até então.