Paula Bellizia, presidente da Microsoft no Brasil. Foto: Itamar Aguiar.

A Microsoft passou por transformações em sua cultura de trabalho e formas de desenvolvimento para permitir uma aproximação maior com projetos do setor público.

Em uma passagem por Porto Alegre nesta quarta-feira, 23, quando palestrou na Federasul, Paula Bellizia, presidente da Microsoft no Brasil, falou sobre as transformações da companhia para se tornar mais aberta.

“Uma base importante do nosso aprendizado nos últimos tem a ver com uma quebra de paradigmas. Se olhamos para a Microsoft de cinco ano atrás, é possível ver que a empresa tinha uma posição totalmente diferente em relação a software livre”, lembra a presidente.

De maneira paralela, a atitude do governo brasileiro sobre open source também tem mudado com velocidade. Mesmo durante o governo Dilma Rousseff, Brasília já dava sinais de enfraquecimento do seu compromisso com a adoção de software livre nacional.

No governo Temer, as mudanças saíram da periferia como empresas públicas a Caixa Econômica Federal, para o coração da Esplanada dos Ministérios, onde ministérios estão fazendo grandes licitações de Microsoft.

Paula destacou que hoje a Microsoft tem hoje 20% de seu código aberto e hoje oferece sua plataforma de banco de dados SQL para Linux. Além disso, no segmento em nuvem, cerca de 30% das máquinas virtuais são Linux.

“Por trás disso está a crença de que a gente precisa se abrir para o que quer que seja que o cliente está usando, e isso inclui o governo brasileiro. Antes a Microsoft era muito fechada em relação a isso, hoje não mais. Então acreditamos que essas mudanças vão ao encontro da expectativa de muitos clientes, inclusive do setor público”, destaca Paula.

Em relação às exigências de localização dos dados, a CEO destaca que a empresa tem data centers no Brasil para atender essa demanda.

“A empresa entende que o Brasil é um país prioritário nesse sentido. Claro que há a questão de privacidade e segurança com o espelhamento de informações em outras regiões, o que precisa ser discutido caso a caso, pois cada governo é um governo. Mas a Microsoft tem discutido isso com o governo brasileiro”, relata.

Para reforçar sua aproximação com o setor público, a Microsoft inaugurou, em Brasília, o seu primeiro Centro de Transparência da América Latina no ano passado. O espaço foi construído para atender a necessidades específicas de segurança do segmento

A iniciativa proporciona a oportunidade de revisar o código-fonte dos produtos Microsoft para atestar sua segurança.  

O programa também permite que os governos tenham acesso a informações relacionadas à segurança cibernética de programas da Microsoft com foco em inteligência, proteção contra malwares (ameaças online) e segurança para combater os crimes cibernéticos.

A parceria foi estendida no Brasil com a adesão ao Programa de Segurança do Governo pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão.