Dave McClure. Foto: divulgação.

O mundo do capital de risco em tecnologia geralmente envolve sujeitos de terno e gravata e muito dinheiro para investir em iniciativas pontuais, que provavelmente devem gerar retornos rápidos. Para Dave McClure, fundador da incubadora 500 Startups, o sucesso está em fazer exatamente o contrário.

“Mais importante do que viabilizar a criação de uma start up por meio do ensino, como tem acontecido nos países emergentes, é criar um ambiente onde quem tem o dinheiro aposte também nos projetos que vão fracassar”, disse McClure.

Usando camiseta, jeans e havaianas, McClure fez um interessante contraponto em sua palestra para uma platéia composta na maioria por sisudos e surpresos investidores brasileiros no Innovators Day, evento realizado na última sexta-feira, 20, em São Paulo.

Contraditória para os padrões de investimentos utilizados no país, a idéia surtiu efeitos positivos na incubadora de McClure, que antes de se tornar um célebre investidor-anjo, passou por empresas como PayPal, onde foi diretor de marketing, Microsoft e Intel.

A estratégia de negócio da empresa é investir pouco em muitas empresas, aumentando, segundo o investidor, as chances de conseguir mais retorno mesmo se a maioria dos projetos incubados fracassar.

“O êxito de um investimento está no fracasso. Nos investimentos em incubação que administramos, as taxas de fracasso são altas, e nós fazemos de 10 a 25 investimentos por ano. Ao passo que os meios tradicionais realizam muito menos", afirma.

Segundo aponta McClure, a sua empresa começa já com a ideia de que muitas apostas irão fracassar e talvez 25% das apostas darão certo. Apesar do risco, o volume de investimentos, mesmo que pequenos, trazem retornos interessantes num ciclo de quatro anos.

A estratégia utilizada pela 500 Startups é baseada em uma história real retratada no filme Moneyball (O Homem que Mudou o Jogo, no Brasil), que conta o caso de Billy Beane, técnico do Oakland Athletics, um time de baseball norte-americano.

Beane ficou famoso por montar, com um orçamento modesto, uma equipe de baseball bem-sucedida com jogadores escolhidos por meio de um sistema baseado em estatísticas, deixando em segundo plano fatores tradicionais como talento e força física, contrariando os gestores da época.

“Traduzimos a tática de  Moneyball para o mercado de capital de risco. Com nossa métrica de fazer pequenas apostas, hoje administramos US$ 800 milhões de capital. Já fizemos mais de 500 investimentos nos últimos três anos em 40 países", explica.

A 500 Startups está atualmente na casa dos 600 investimentos. Na América Latina são cerca de 70 investimentos, 25 no Brasil, 33 no México e o resto em outros países.

Segundo Flavia Egypto, gerente de Investimentos da Apex Brasil, a tática proposta por Mcclure aos investidores brasileiros aumentam também as chances das start ups de conseguirem recursos.

“Investir em várias empresas significa que são mais oportunidades para quem está começando, e isso é fundamental para um setor que busca crescimento na economia”, contou a executiva responsável por promover o investimento nacional da agência em start ups.

“No ínicio, as start ups gastam muitos meses no desenvolvimento de uma idéia para atrair investimentos. O modelo apresentado pela 500 Startups garante uma certa liberdade porque denota que um grande produto precisa passar por estágios antes de atingir a maturidade”, contou Adriano Brandão, diretor da Navegg, empresa de monitoramento de mídia online adquirida pela Buscapé em 2011.

Bruno de Oliveira cobriu o Innovators Day com exclusividade para o Baguete.