Baguete
InícioNotícias> Cloud: a galinha de ovos de ouro

Tamanho da fonte:-A+A

BIG PLAYERS

Cloud: a galinha de ovos de ouro

Leandro Souza
// sexta, 23/10/2015 12:11

Google, Microsoft e AWS divulgaram seus resultados do terceiro trimestre nesta quinta-feira, 22, e todos os relatórios apontam a mesma constatação: a nuvem é de fato o grande mercado atual da TI, e deve crescer ainda mais.

Cloud vale ouro para os grandes players de TI. Foto: divulgação.

Em valores conjuntos, as três companhias relataram uma capitalização de mercado de mais de US$ 100 bilhões, impulsionada principalmente por seus produtos de infraestrutura e serviços para nuvem.

No caso da Amazon, o período foi o primeiro em que a AWS, divisão de cloud da gigante, passou a tradicional operação varejista da Amazon em índices de crescimento, contabilizando US$ 2,08 bilhões em receita. Em termos estatísticos, o crescimento da AWS é 179% maior que o do e-commerce da Amazon.

No caso da Microsoft, o Azure e aplicações cloud como o Office 365 foram os grandes motores do crescimento da empresa no trimestre, em que contabilizou US$ 21,66 bilhões.

Para a empresa de Satya Nadella, as receitas de cloud já respondem por mais de um quarto desse bolo, com um faturamento de US$ 5,9 bilhões, um crescimento de 8% sobre o mesmo período no ano passado. De acordo com especialistas, a expectativa é que o crescimento continue forte, com a empresa chegando a US$ 6,3 bilhões no último trimestre de 2015.

Um outro exemplo: o Office 365, suíte de colaboração e trabalho online da empresa, começou em junho de 2011 e acumula atualmente 18 milhões de usuários. Um detalhe: 16% dessa base, cerca de 3 milhões de usuários, assinaram a solução nos últimos três meses.

Para o Google, embora a receita com publicidade ainda seja o grande impulso para os negócios, a companhia também relatou avanços em seus produtos de cloud, como aplicações para clientes corporativos.

Mesmo assim, a receita de cloud do Google ainda é uma fatia pequena dentro do bolo de US$ 5 bilhões que a empresa tem por trimestre. Segundo analistas, a receita anual do Google com serviços de nuvem não passa de US$ 400 milhões.

Dos números que foram abertos, o CEO Sundar Pichai, revelou que o Google’s Drive for Work, aplicação de storage cloud para empresas, já atingiu a marca de um milhão de clientes pagos. Entretanto, a empresa não deu detalhes se pretende monetizar alguns de seus serviços web mais usados, como o Maps.

"Estamos escalando todas estas aplicações para ter mais de um bilhão de usuários, estamos reforçando a infraestrutura, algo que vai acelerar nossos negócios em cloud", afirmou Pichai.

No meio de toda a badalação de cloud, ainda resta saber onde players como HP, Dell, IBM e Oracle vão se posicionar.

No caso da HP, esta semana a empresa declarou oficialmente sua saída do mercado de infraestrutura para cloud, anunciando que descontinuará a oferta Helion a partir de 31 de janeiro de 2016. Em 2014, a empresa registrou uma queda de 2% em sua receita de cloud em comparação com ano anterior.

A postura é semelhante à da Dell, que nem quis começar dentro do segmento, mantendo seu foco no fornecimento da infraestrutura para este mercado. A compra da EMC por US$ 62 bilhões apenas serviu para ilustrar este ponto.

Para a IBM, por sua vez, o plano é o de insistir. Mesmo longe dos grandes players em termos de market share, a Big Blue investiu US$ 1,2 bilhão na construção de 15 novos data centers para apoiar sua estrutura global do SoftLayer, oferta de nuvem pública. No mês passado, a Big Blue inaugurou em São Paulo seu primeiro data center na região dedicado ao produto.

No ano passado, a Oracle fez no Open World, evento anual realizado em San Francisco, um ambicioso anúncio em que se posicionou como uma "empresa de nuvem", alinhando ofertas de infraestrutura (IaaS), plataforma de banco de dados (PaaS) e aplicações (SaaS) como o novo carro-chefe da multinacional para o futuro.

De acordo com os resultados divulgados pela empresa californiana no segundo trimestre deste ano, parece que o esforço está acelerando rápido. A expectativa da companhia é fechar 2015 com uma receita de US$ 1,5 bilhão em sua receita cloud, chegando a US$ 2 bilhões em 2016.

No cenário geral da Oracle, o valor pode parecer irrisório, já que a venda de licenças e equipamentos compreendem a maior parte dos US$ 38 bilhões que a empresa fatura anualmente. Por outro lado, o montante estimado pela Oracle já equivale a um quarto da renda esperada pela AWS para 2015, que é de US$ 6 bilhões.

Leandro Souza