Algumas promoções sofreram maquiagem. Foto: flickr.com/photos/reanjos

Aberto à meia-noite de sexta-feira, 23, nas lojas virtuais do país, o Black Friday brasileiro vêm causando congestionamentos e correria dos consumidores mais afoitos pelas ofertas com até 70% de desconto, conforme prometido pelos varejistas.

Porém, os compradores mais atentos estão identificando e reclamando dos preços inflados, "maquiados" pelas lojas com descontos gigantes, passando a impressão de economia.

Em redes sociais como Twitter e Facebook, a frase mais divulgada na tarde desta sexta-feira foi "Black Friday no Brasil - tudo pela metade do dobro".

"Algumas lojas acham que os consumidores são idiotas. #BlackFridayBrasil em um país como o nosso. Pra cima de mim, não! Vamos pesquisar", declarou um usuário da rede.

Segundo leitores do Baguete, os descontos existem, mas é preciso procurar. "Boa parte é enganação, mas procurando bem consegue coisa boa e com um bom desconto", afirmou um deles no Twitter.

"A maioria esta aplicando descontos sobre um valor mais alto que a média. TVs de R$ 1200,00 vendidas a R$ 1199,00 mas colocam que o valor anterior era de R$ 1600,00. As empresas estão tentando enganar o consumidor e não aproveitar a data", afirmou o leitor Aldo Pacheco.

Apesar da quantidade de descontos "reais" - como licenças do Office 2010 por R$ 39 - as reclamações procedem. Casos como o do mdelo 40EH5300, smart TV da Samsung, consta em sites com preço de tabela de R$ 2,2 mil, com descontos de até R$ 600 reais em algumas lojas.

No entanto, durante o ano, o mesmo aparelho já foi oferecido em sites participantes do Black Friday por R$ 1,4 mil, valor abaixo do praticado durante a Black Friday, segundo aponta o site Já Cotei.

PROBLEMAS DE CONEXÃO
As reclamações dos consumidores foram além dos flagras nos preços enganadores. Em sites como Americanas, Fnac e Submarino, muitos usuários não conseguiram concluir suas compras, devido à lentidão nos servidores.

O congestionamento nos sites devido ao grande acesso gerou comentários indignados no Twitter. O Submarino entrou inclusive nos Trending Topics da rede social na tarde de sexta, devido às reclamações.

PROCON VIU
De olho na manobra dos sites, o Procon-SP foi atrás e constatou preços inflados em diversos sites participantes da promoção. As empresas Extra (lojas física e virtual), Ponto Frio, Submarino, Americanas, Walmart, Saraiva e Fast Shop foram notificadas pela entidades e devem se explicar até a sexta-feira, 30.

Em nota à imprensa, o site Busca Descontos, que organiza a iniciativa no país, informou ter bloqueado cerca de 500 ofertas irregulares. Mesmo assim, terá que dar explicações ao órgão sobre as dificuldades sofridas pelos consumidores no acesso às ofertas online.

MAIOR DATA DO COMÉRCIO

Em 2011 o Black Friday rendeu cerca de R$ 100 milhões aos varejistas. Para este ano, as empresas de e-commerce esperam movimentar R$ 135 milhões, cifra que tornaria a data a ocasião mais lucrativa para o setor no ano, superando o Natal.

De acordo com o analista Fernando Di Giorgi, o Black Friday foi criado nos Estados Unidos como uma grande desova para as lojas liberarem espaços em seus estoques para a temporada de Natal.

No caso do e-commerce, conforme aponta Di Giorgi, também é uma chance de preparar sua logística de entrega para o pico de vendas que chega com o final de ano.

"Em outra época se ia pensar que fez isso porque ninguém comprou e deve ser porcaria. Mas quando a desova é institucional não fica tão chato", explica.

De acordo com a e-bit, atualmente no Brasil são mais de 37 milhões de e-consumidores. No primeiro semestre, o comércio eletrônico faturou R$ 10,2 bilhões, resultado de aproximadamente 29,6 milhões de encomendas feitas junto às lojas virtuais brasileiras.

GANHOU PERDENDO

O varejo do sul ficou de fora do agito e da polêmica do Black Friday por um simples motivo: com exceção da Colombo e da Taqi, ninguém mais participou.

De acordo com Paulo Kendzerski, diretor da WBI Brasil, o e-commerce da região perde uma grande oportunidade com a ausência na promoção.

"É uma grande chance de expandir a base de clientes para outros estados, e com a exposição nacional que esta campanha proporciona, seria uma grande chance de fazer isso", destaca.