Armazenagem em fita segue firme e forte. Foto: Shutterstock

A IBM Brasil anunciou nesta segunda-feira, 23, o que definiu como um “projeto inédito no mundo” para  gerenciamento automatizado e seguro de dados armazenados em fitas. 

A novidade será implementada em oito salas de data centers da IBM Brasil, localizadas em Hortolândia, São Paulo, até o final deste ano. A Big Blue tem no local 150 mil fitas com dados de empresas clientes.

A iniciativa é resultado de pesquisas desenvolvidas ao longo de cinco anos, viabilizadas com recursos dos parceiros envolvidos e da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), totalizando US$ 3,5 milhões.

Batizada de DNA Tape, a solução foi criada em parceria com a StoreID, uma empresa paulista especializada em armazenamento em fita e identificação por radiofrequência (RFID, na sigla em inglês), junto com o Senai Cimatec, uma instituição de ensino superior particular mantida pelo Senai na Bahia.

Com mais de 40 laboratórios de ponta, o Cimatec sedia três institutos de inovação do Senai em áreas como automação, conformação mecânica e logística, além do 2° supercomputador mais rápido da América Latina, o Cimatec Yemoja

Desenvolvida pela StoreID, a plataforma DNA Tape é composta por softwares, hardwares (scanner, portais e torres de detecção) e etiquetas de identificação por radiofrequência (RFID), que são inseridas nas fitas de dados de servidores e storages. 

“Essa tecnologia pode ser considerada uma revolução para a segurança dos centros de dados. Não há nada semelhante em outras partes do mundo”, comenta Julio Cesar do Carmo, Gerente de Identity and Acess Management da IBM Brasil.

Antes, a gestão de um inventário com 50 mil tapes demandava quatro profissionais trabalhando por oito dias em turno de oito horas; agora, o mesmo serviço pode ser feito em apenas duas horas por um único indivíduo

Com as etiquetas RFID é possível identificar rapidamente e de forma precisa e segura a localização de cada fita e seu conteúdo, facilitando o acesso dos funcionários aos dados, sempre que há demanda dos clientes. 

A ferramenta também permite o monitoramento remoto do deslocamento dos tapes, a gestão remota dos inventários e a realização de tarefas online e em tempo real.

Por meio das torres de detecção instaladas nos acessos de cada sala de data center e com a implementação da etiqueta RFID nos tapes, um sinal sonoro e luminoso é disparado caso uma pessoa tente sair com uma fita sem a prévia autorização. 

Armazenagem em fita foi o backbone da storage desde a sua entrada no mercado, nos anos 50, até o final dos anos 80. 

Apesar de terem saído de vista para os usuários domésticos, as fitas seguem muito importantes em data centers corporativos pelo fato de serem muito estáveis e usarem muito menos energia que outros meios, provendo uma boa mídia para backup de informações sequenciais que não exigem acesso imediato.

Em 2011, o Google recorreu ao backup em fitas para restaurar dados perdidos em contas do Gmail que não estavam em nenhum outro lugar. Ainda no ano passado, a Sony quebrou um recorde no setor, anunciando uma nota fita com uma capacidade de armazenagem cinco vezes maior que as disponíveis anteriormente.