Apenas 31% das famílias brasileiras conversam abertamente sobre os gastos. Foto: Andrey_Popov/Shutterstock.

Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal de Educação Financeira Meu Bolso Feliz revela que mais de um terço dos casais brasileiros (35%) não sabe ao certo o valor do salário do companheiro.

O estudo também mostra que o hábito de discutir o orçamento familiar com o cônjuge e com outros membros da família é pouco frequente: apenas 31% das famílias brasileiras conversam abertamente sobre os gastos e as receitas da casa.

De acordo com a pesquisa, o mais comum dentro das casas é que apenas um morador seja responsável por pagar as contas - com mais de um terço (33%) das respostas. Outros 26% garantem que os gastos são divididos igualmente entre aqueles que possuem renda.

Quando chega o momento de decidir sobre os gastos da casa, 44% dos entrevistados garantem que tomam as decisões em conjunto com os outros familiares. Este comportamento é ainda mais comum entre os casados (58%).

A pesquisa também indica que, nas famílias em que os membros tomam as decisões em conjunto, 58% deles garantem conversar sobre os gastos da casa. Já nas famílias em que apenas um integrante decide, a conversa está presente em apenas 21% dos casos.

Apesar de compartilharem informações sobre as contas da casa na maioria das vezes (93%), os consumidores confessam que a transparência não é tão expressiva assim quando se trata das despesas pessoais: um em cada quatro entrevistados (25%) não compartilha seus gastos pessoais com outros membros da família.

"A pesquisa mostrou que em geral as mulheres costumam omitir gastos com roupas [60%], calçados [42%] e acessórios [40%]. Já os homens têm o hábito de não revelar os valores dos gastos com saídas para bares, cinemas, teatro e restaurantes [40%], além dos gastos com carros, motos [41%] e cigarros e bebidas [19%]", exemplifica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Os dados também confirmam que muitos brasileiros não têm o costume de guardar dinheiro para o futuro: 38% dos entrevistados afirmam que sua família não possui poupança. De acordo com o estudo, quando sobra algum valor inicialmente reservado aos gastos familiares, a atitude mais comum é direcionar o dinheiro para as despesas do mês seguinte (29%).

A pesquisa ouviu 662 consumidores acima de 18 anos e de todas as classes sociais nas 27 capitais do Brasil. A margem de erro é de 3,7 pontos percentuais com margem de confiança de 95%.