Elia San Miguel. Foto: Baguete.

Convergência e mobilidade são as palavras chaves da TI no momento.

Segundo o último levantamento do Gartner sobre as prioridades dos CIOs latino americanos mobilidade é o segundo assunto na pauta, atrás apenas de soluções analíticas e de business intelligence, que serão elas mesmas cada vez mais alimentadas por dados móveis no mundo da Internet das Coisas.

As complexidades desse cenário foram tema da apresentação da principal analyst do Gartner, Elia San Miguel, durante o seminário Gestão de TI em um Mundo Convergente, organizado pela  Sucesu-RS em Bento Gonçalves nesta sexta-feira, 21.

“Estamos vendo cada vez mais um cenário no qual os funcionários compram e usam não só os seus próprios devices, mas também seus próprios aplicativos de produtividade”, comentou Elia.

Dados trazidos pela analista do Gartner não apontam para uma simplificação do cenário no curto prazo.

No lado da mobilidade, o instituto acredita que até 2016 pelo menos não deve haver uma convergência que elimine a necessidade de dois ou mais dispositivos por pessoa.

“Mesmo com queda nas vendas de PCs, não vemos um cenário em que eles possam ser totalmente substituídos por smartphones ou tablets”, afirmou Elia.

[No que que tange a linhas telefônicas fixas, o Gartner sim acredita numa substituição total por soluções de comunicações unificadas e smartphones].

Já a Internet das Coisas apresenta um quadro ainda mais complexo. Em 2011, já existam 15 bilhões de objetos permanente conectados à Internet por sensores e outros 50 bilhões mandando comunicações intermitentes.

Até 2020, a expectativa é que os números pulem para 30 bilhões e 200 bilhões, respectivamente.

“Quando o cliente da conectividade é uma coisa, ela não reclama. Mas mesmo assim, é um grande volume de informações que precisa ser analisada”, brincou Elia.

Então, há uma grande mudança dentro das organizações causadas pela aparição de novas tecnologias. Mas como as áreas de TI estão lidando com ela?

Não muito bem, talvez por entender que o problema é uma questão de tecnologia, quando é mais bem uma questão de gestão das mudanças causadas por ela.

De acordo com uma pesquisa da Delloite sobre o tema, mudanças dentro das organizações afundam na grande maioria das vezes (62%) por problemas na área de pessoas, com falhas na gestão de mudanças como a grande líder. Problemas nos processos vem bem atrás, com 16%, mas ainda na frente de tecnologia, com 9%.

Nesse estado de coisas, é representantivo que segundo uma pesquisa da consultoria de gestão de mudança Dynamica, 39% da demanda típica de um escritório de gestão de mudanças venha das áreas de Recursos Humanos e 23% da TI.

“TI vê o sucesso dos projetos em termos de qualidade, custo e prazo, quando esses fatores são a ponta do iceberg”, afirma Agostino Carletti, sócio da Dynamica que também esteve palestrando no seminário da Sucesu-RS.

De acordo com Carletti, debaixo da linha d'água da massa de gelo estão outros fatores realmente decisivos como identificar os promotores e oponentes de um projeto, as áreas de poder afetadas e o engajamento da alta gestão com o que está acontecendo.

Maurício Renner acompanhou o  seminário Gestão de TI em um Mundo Convergente da Sucesu-RS à convite da entidade.