Ainda dá para usar.

O índice de dispositivos ultrapassados ou obsoletos nas redes corporativas é o maior dos últimos seis anos, segundo aponta pesquisa divulgada pela consultoria internacional Dimension Data.

De acordo com o relatório anual Network Barometer Report 2014, mais de 51% de todos os 74 mil aparelhos - avaliados em organizações variadas em 32 países - estão agora envelhecidos.

De acordo com a Dimension Data, dispositivos envelhecidos são aqueles que já não são vendidos, mas que ainda contam com suporte técnico do vendedor e com suporte de fornecedores limitado. Geralmente são aparelhos com três a cinco anos de uso.

Já os dispositivos obsoletos já não contam com suporte técnico. Estes aparelhos possuem, no mínimo, cinco anos ou mais de uso.

Além disso, 27% de todos os devices foram considerados atrasados em relação ao ciclo de vida dos produtos e no ponto onde o fornecedor começa a diminuir o suporte.

A empresa publicou um gráfico para ilustrar a obsolescência dos equipamentos, separando por verticais e detalhando o índice de equipamentos comprados desde 2011 e as empresas que renovaram seus dispositivos até este ano.



Segundo Raoul Tecala, diretor de desenvolvimento de negócios para redes da Dimension Data, nos últimos anos o percentual de dispositivos atrasados aumentou, mas a suposição geral era de que um ciclo de revitalização da tecnologia era eminente.

"Apesar disso, nossas informações revelam que as organização estão enxugando seus ativos de rede por mais tempo do que o esperado", observou Tecala, apontando que muitas empresas ainda mantém dispositivos que já não são mais vendidos e/ou que já não contam mais com suporte técnico.

De acordo com Tecala, existem forças por trás dessa tendência. Após as crises econômicas globais, as organizações estão mantendo o foco na redução de custos – particularmente reduzindo os investimentos em despesas de capital (Capex).

Outro ponto, também ligado à parte de redução de custos, o uso de TI como serviço está cada vez mais em voga entre os CIOs. Novidades como redes definidas por software (SDN) estão tirando boa parte do "peso" do hardware e otimizando performance através dos softwares.

“Esperamos que o aumento de cloud computing, mobilidade e do número de “coisas” conectadas irá colocar uma pressão adicional sobre a rede e sobre os clientes que terão de voltar os olhares às suas arquiteturas de rede, e não aos dispositivos individuais”, explica Tecala.

Regionalmente , as Américas, Ásia Pacífico e Europa mostram crescimentos no percentual de aparelhos envelhecidos e obsoletos, enquanto a Austrália, e Oriente Médio e África (MEA) parecem ter melhorado ligeiramente em relação ao ano passado.

No ano passado, a Austrália e MEA mostraram percentuais elevados (acima de 50%) de devices envelhecidos e obsoletos comparado aos números das Américas (37%), Europa (41%) e Ásia Pacífico (44%).

“Muitos desses aumentos podem ser explicados pela macroeconomia. Gastos com redes estão muitas vezes ligados às condições econômicas de cada região: ela diminuir em períodos lentos e acelera quando há crescimento”, avalia o diretor.

Três verticais apresentaram grandes aumentos: serviços financeiros (13%); governo, saúde e educação (11%); e provedores de serviços e telecomunicações (33%).

Na opinião de Tecala, a tendência é de que as organizações invistam mais na otimização de suas arquiteturas internas do que em renovação de seus parques de hardware por uma questão de evitar obsolescência.

"No geral, vemos organizações se tornando mais econômicas em suas abordagens, e mais dispostas a arriscar a ficar com dispositivos ultrapassados em prol da diminuição de gastos. Não há nada de errado com as organizações enxugarem seus ativos pelo maior tempo possível, sujeito a normas organizacionais e políticas de conformidade assim como planos de arquitetura de redes que atendam as necessidades dos negócios", declarou o diretor.