Macapá conta com o Marco Zero, que marca a passagem exata da Linha do Equador na cidade. Foto: Setur.

Um projeto conduzido pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) possibilitou a ativação de conexão em banda larga para o Amapá, o único estado no Brasil ainda não atendido em fibra óptica. 

Possível graças à implantação de uma infraestrutura de cabo óptico sobre 1,8 mil quilômetros de extensão da linha de transmissão que levou energia elétrica da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, até Macapá e Manaus (Linhão de Tucuruí), a instalação da fibra óptica foi viabilizada em março deste ano para a RNP, contando ainda com a parceria da operadora CompuService. 

Com uma natureza acidentada e entrecortada por rios, o projeto do Linhão envolveu desafios como a travessia do rio Amazonas e a fixação de torres de 300 metros de altura, uma alternativa aérea que possibilitou a instalação dos cabos ópticos para-raios Optical Ground Wire (OPGW), dentro da linha de energia. 

Presente no estado apenas via rádio, o braço da rede Ipê da RNP que chegava ao Amapá tinha origem em Belém e oferecia velocidade de apenas 150 Mb/s, com um link secundário de 75 Mb/s, também por rádio – para fins de backup –, o que resultava em uma conexão intermitente, recorrentemente condicionada a falhas. 

“Recebíamos muitas reclamações do campus universitário e também das unidades da Embrapa e do Inmetro”, conta Paulo Alves, gestor de TI da Universidade Federal do Amapá (Unifap) e coordenador técnico do Ponto de Presença da RNP no Amapá (PoP-AP).

Com relação à RNP, a conexão atualmente tem capacidade de 250 Mb/s, 100 por fibra óptica e 150 por rádio, com a possibilidade de upgrade para 300 Mb/s nos próximos meses. 

“Precisamos avançar também no uso dos serviços nas empresas privadas, na inclusão digital e social e no acesso aos serviços públicos de governo”, complementa o professor do curso de computação da Unifap, Rafael Pontes. 

Na universidade, a demanda atual passa pela capacidade de expansão do acesso. Está nos planos da Unifap, segundo Pontes, um projeto de wi-fi nos campi Marco Zero e Santana.

Qualificada como uma organização social, a RNP é ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), responsável pelo Programa Interministerial RNP, que conta com a participação dos ministérios da Educação (MEC), da Saúde (MS) e da Cultura (MinC). 

Pioneira no acesso à internet no Brasil, a RNP planeja e mantém a rede Ipê, a rede óptica nacional acadêmica de alto desempenho. Com Pontos de Presença em 27 unidades da federação, a rede conecta 1219 campi e unidades nas capitais e no interior. 

O Amapá tem uma população de quase 800 mil habitantes, sendo o segundo estado menos populoso do Brasil, atrás de Roraima. Dos 14,3 milhões de hectares que o estado possui, 72% são destinados a unidades de conservação e terras indígenas.

A capital, Macapá, conta com o Marco Zero, um monumento que marca a passagem exata da Linha do Equador na cidade.