Givanildo da Luz.

A Stefanini, gigante de serviços de tecnologia, adquiriu 40% da Saque e Pague, rede de caixas multisserviços sediada em Porto Alegre.

Não foi revelado o valor da operação.

Segundo Givanildo da Luz, presidente da Saque e Pague, a aliança vai agregar ao portfólio Saque e Pague um leque de produtos inovadores que a Stefanini possui, tais como o processo de compensação de cheques por imagem, BPO e telecom.

“Temos certeza de que essa aliança com a Saque e Pague irá gerar resultados positivos, ao proporcionar serviços cada vez mais completos e eficazes para os nossos clientes do varejo”, afirma Marco Stefanini, CEO Global da Stefanini.

O acordo parece ter mais a ver com a complementaridade do porfólio e as possibilidades de internacionalização oferecidas pela Stefanini, presente em 34 países, do que com um aporte financeiro.

Afinal, Saque e Pague, criada em 2011, é um empreendimento do grupo Ernesto Corrêa, dono de um capital considerável, aumentado no ano passado pela venda da processadora de cartões GetNet para o Santander por R$ 1 bilhão.

O diferencial dos ATMs da Saque e Pague é a capacidade de “reciclar” cédulas, fazendo com que notas utilizadas para pagar uma conta ou agora fazer um depósito sejam disponibilizadas imediatamente para saques de outros consumidores.

O uso de caixas com essa capacidade de reciclagem, no entanto, já é discutido na indústria bancária brasileira há pelo menos uma década. A Saque e Pague é agora o player a ter feito a maior aposta, com 150 pontos de atendimento um terço deles no Rio Grande do Sul. 

Os ATMs estão instalados em shopping centers, supermercados e lojas de conveniência, algumas vezes em parceiras com bancos (até agora, os bancos estaduais do Rio Grande do Sul, Sergipe e Pará).

Mas caso a Saque e Pague queira permanecer à frente, ela necessitará ser capaz de lançar funcionalidades extras que façam seus caixas mais atrativos do que os dos bancos, uma tarefa na qual a capacidade de desenvolvimento de software da Stefanini no setor financeiro deve ajudar.

Antes de vender a participação para a Stefanini, a meta da Saque e Pague era ter instaladas 3 mil unidades até 2017, por meio de um plano de investimento de R$ 20 milhões.

Para a Stefanini, o investimento na Saque e Pague é mais em uma febre de diversificação nos últimos tempos. 

Em fevereiro, a Stefanini anunciou uma “fusão” com a IHM Engenharia, empresa mineira especializada em projetos de automação industrial

As aspas vão por conta da falta de informações por parte da empresa sobre os termos do negócio. A Stefanini não falou em uma nova composição acionária, o modelo de atuação conjunta ou abriu valores sobre a operação.

No mês seguinte, a Stefanini se uniu à Tema Sistemas, presente no mercado financeiro há 30 anos, para criar a joint venture Stefanini Capital Market.

Com a nova empresa, a Stefanini montou uma oferta que vai da originação de crédito (Orbitall), consultoria, banking operation a gerenciamento de back-office.

Em junho, a Stefanini montou ainda a Inspiring, uma empresa de soluções para telecom comandada por João Mota, ex-presidente da Portugal Telecom Inovação Brasil. 

A Stefanini fechou 2014 com um faturamento de R$ 2,35 bilhões, uma alta de 11% frente ao ano anterior, e prevê manter o mesmo ritmo em 2015. 

Assim, ficaram adiadas para “2017 ou 2018” as metas da companhia de chegar ao final de 2016 faturando R$ 4 bilhões, divulgadas no final de 2013.