Pedro Conrade, CEO da Neon Pagamentos.

O Neon Pagamentos vai pagar por indicações e dar dinheiro para novos clientes, como parte de um programa de expansão que marca uma mudança de paradigmas entre as fintechs brasileiras.

Pelas regras do programa, cada cliente atual poderá fazer cinco indicações de novos clientes, pelas quais receberá R$ 15 caso elas sejam bem sucedidas. O novo cliente, por sua parte, ganha R$ 20.

O Neon não disse qual é a sua meta de clientes ou quanto dinheiro pretende gastar, mas é possível especular sobre isso com base em informações recentes da empresa.

Em maio, o Neon levantou um aporte de R$ 72 milhões, e disse na época que a sua meta era saltar de 600 mil para 1 milhão de clientes até o final do ano.

Supondo que todos viessem por indicações, a um custo de aquisição de R$ 35 por cliente, o custo total seria de R$ 14 milhões. Com cada um dos clientes atuais podendo fazer indicações, o potencial total é de 3 milhões de pessoas.

Claro que nem todo mundo vai sair indicando novos clientes como um louco (estamos falando de um ganho máximo de R$ 75, no final das contas), mas o Neon quer facilitar as coisas permitindo que os convites sejam enviados a partir do app do banco digital por e-mail, WhatsApp, Messenger, SMS, entre outros.  

“Criamos o programa de indicações após analisar o comportamento dos nossos clientes. Eles são fãs da marca e estão sempre fazendo propaganda da Neon de forma orgânica”, conta Pedro Conrade, CEO da Neon Pagamentos. 

A estratégia de indicação, um clássico de produtos digitais, foi usada pelas primeiras grandes fintechs brasileiras, como a Nubank, quando esse mercado começou a aquecer no Brasil, em 2016. 

A diferença é que naquele então ninguém pagava pelas indicações, uma prática que, até onde a reportagem pode averiguar, está sendo inaugurada pelo Neon.

O cenário mudou muito e o Brasil tem fintechs para tudo que é lado. A Associação Brasileira de Fintechs tem hoje 463 associadas. Na área específica de banco digital, o Neon concorre com grandes players como Original, Nubank e Banco Inter.

A decisão de ser mais agressivo na aquisição de clientes pode ter a ver com a crise recente atravessada pelo Neon, quando o Banco Central decidiu fechar o Banco Pottencial, que funcionava como “banco liquidante” da fintech, assumindo as responsabilidades regulatórias.

Depois de um acordo com o Neon, o Pottencial passou a ser chamado Banco Neon, e, frente aos consumidores, não havia distinção prática entre uma empresa e outra.

O fechamento do Pottencial, um dia depois do Neon levantar o maior aporte de série A da história do país, levou a um período de confusão e incerteza, superado em três dias quando o Banco Votorantim fechou um acordo para ser o novo liquidante.

O Votorantim é o sexto maior banco privado brasileiro em ativos, tendo como acionistas o Banco do Brasil e o Grupo Votorantim, e uma instituição infinitamente mais sólida que o Pottencial.

Possivelmente, o Neon quer deixar o episódio para trás em definitivo com uma campanha agressiva de marketing.