Daniel Torres, CEO da Zitrus. Foto: divulgação.

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A FESC Tecnologia, empresa nascida há 20 anos na área de Tecnologia da Informação do Sistema Unimed Santa Catarina, agora se chama Zitrus.

Com o reposicionamento, a healthtech continua focada em soluções para operadoras de plano de saúde, com o sistema de gestão SGU-SUITE como o principal produto do seu portfólio — além de soluções secundárias como CRM, portais e ressarcimento ao SUS.

Além disso, a Zitrus está ampliando o foco para soluções para cooperados, médicos e pacientes.

Inicialmente, isso está sendo feito através da Taric, primeira startup do Zlabs, hub de inovação e aceleração da companhia. A nova startup é especializada em prontuário eletrônico, gestão de clínicas, colaboração entre o paciente e o médico e medicina preventiva.

Outros projetos, que estão em fase de criação de produtos, devem ser lançados em breve.

“Quase semestralmente temos algum produto ou solução nova e até serviço novo. Nesse processo de reposicionamento, já tínhamos uma área forte de inovação onde já incubamos muita coisa e estruturamos um hub aberto, no início para o estado de Santa Catarina”, conta Daniel Torres, CEO da Zitrus.

Segundo o executivo, o reposicionamento de marca é reflexo de uma transformação realizada na startup no último ano e meio, que incluiu esse maior foco na área de inovação, crescimento em termos de market share, mudança cultural e contratação de executivos de mercado. 

Um deles foi o próprio CEO, que chegou em dezembro de 2020 vindo do Gartner, onde era diretor sênior de desenvolvimento de negócio. No mesmo ano, a então FESC contratou José Guilherme Merchiori, ex-Benner, como Chief Technology Officer (CTO).

Com sede na catarinense Joinville, a empresa se tornou independente em 2011 e hoje atende 52 clientes em nove estados, com 2,6 milhões de beneficiários assistidos e faturamento bastante pulverizado: a Unimed SC representa apenas 18% dos ganhos da Zitrus.

A maioria dos clientes da empresa são cooperativas da Unimed, mais precisamente uma a cada sete Unimeds do país. Uma exceção de cliente teoricamente fora do sistema é a Vida Top, operadora de baixo custo criada pela Unimed Bauru, do interior de São Paulo.

Para 2021, a healthtech planeja um crescimento de 60% no faturamento em relação ao ano anterior. Além disso, mira alcançar 220 colaboradores nos próximos meses, após um acréscimo de 47% na equipe no ano passado, quando chegou a 180 funcionários.

“Atualmente, são mais de 20 mil cooperados assistidos por nossos produtos e queremos avançar ainda mais. Nosso propósito é transformar a saúde por meio da tecnologia, isso que nos move”, afirma Torres.

As Unimeds estão se tornando um laboratório para novos fornecedores de tecnologia, como é o caso da cooperativa médica de Vitória, que em 2016 criou a Unio, especializada na criação, implantação e operação de soluções de sistemas para o segmento de saúde suplementar.

Em junho, a Unio também trouxe um novo CEO: Armando Buchina, ex-CEO da Pixeon, outra grande healtech de sistemas de gestão para hospitais, laboratórios, centros de imagem e policlínicas. 

O motivo é claro. Apesar da Unimed ser uma das marcas mais conhecidas de planos de saúde, ela é apenas um player em um segmento muito maior.

Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mais de R$ 200 bilhões são faturados pelas operadoras de planos de saúde anualmente no Brasil. Cerca de 35% desse faturamento é captado apenas pelas cooperativas médicas.

O setor, no entanto, está em expansão: os planos de saúde tiveram um incremento de mais de 1,3 milhão de beneficiários em comparação a maio de 2020. Assim, o total de beneficiários engloba 24% da população brasileira, maior índice desde julho de 2016.

Além disso, uma fatia de 9,2% do PIB é gasta com saúde, o que posiciona o Brasil entre os 10 principais mercados de saúde no mundo. O desembolso das famílias com o segmento é equivalente a 5,4% do PIB, conforme dados do IBGE.