Prédio Telefónica em Madrid. Foto: flickr.com/photos/javierdebe.

A Telefónica anunciou um investimento pesado para ter a participação majoritária da holding Telco, controladora da  Telecom Italia, empresa que comanda a TIM no Brasil.

O investimento inicial foi de 324 milhões, aumentando sua fatia na empresa de 46% para 66%. Os sócios da Telco Assicurazioni Generali, Intesa Sanpaolo e Mediobanca, outros acionistas da holding, vão gradualmente reduzir suas cotas.

Em uma segunda fase, a empresa espanhola, que comanda a Vivo no Brasil, irá pagar 117 milhões para aumentar sua participação na Telco para 70%.

Com esta manobra, a Telefónica adquire cerca de 16% da Telecom Italia, que controla no Brasil a TIM Participações.

Ao adquirir participação da Telecom Italia, a Telefónica torna-se sócia majoritária da TIM no Brasil.

Desta forma, teria que se desfazer da outorga e das faixas de frequência e uma das duas operadoras, unificando os clientes em um único espectro, uma mudança que pode afetar o serviço de ambas as operadoras.

INVESTIMENTO

No total agregado das duas fases, o investimento será de 441 milhões de euros - US$ 596 milhões - financiados com as próprias ações da operadora espanhola.

No momento, os direitos da Telefónica permanecem os mesmos até janeiro do próximo ano. A partir de então poderá converter sua participação em votos, com um peso superior a 50% e poder para apontar metade dos integrantes do conselho da Telco.

Além disso, a operadora terá preferência para adquirir os papéis restantes dos sócios italianos, a um preço de 1,09 por ação, quase o dobro do preço de mercado atual.

A Telecom Italia busca diminuir uma dívida estimada em US$ 38 bilhões. A agência de classificação de nota de crédito Moody's tinha avisado em agosto que cortaria o grau de investimento, se em três meses a companhia italiana não conseguisse reforçar seu balanço, colocando mais pressão sobre o CEO da Telecom Italia, Franco Bernabe, para vender ativos.

A estrutura do acordo dá mais tempo para a Telecom Italia estudar uma possível venda da TIM Participações no Brasil e prosseguir com o plano de separação de sua rede fixa.

Uma fonte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou à Reuters que pelas regras do setor no Brasil um grupo não pode ter duas empresas atuando com telefonia móvel na mesma região.

Segundo dados de julho da Anatel, a Vivo é a líder do mercado brasileiro de telefonia móvel e a TIM aparece em segundo lugar. Somadas, as empresas teriam mais de 55% de market share.