Sonda está de saída. Foto: Peter Gudella / Shutterstock

A Sonda IT anunciou nesta quinta-feira, 24, a transferência do atendimento dos seus clientes do software de gestão para pequenas e médias SAP Business One para a paulista G2 Tecnologia.

Com 24 anos de atuação no mercado e parceira da SAP desde 2007, a G2 tem versões do B1 customizadas para clientes nas áreas de saúde, gerenciamento de obras e setor alimentício.

A G2 assumiu tanto as contas on premise como cloud, que seguirão hospedados no data center da Sonda.

A empresa está em alta junto à SAP, tendo sido escolhida pela multinacional para oferecer o software de gestão com condições especiais para as 34 mil clínicas associadas à  Federação e no Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo.

Por "motivos contratuais" a Sonda IT não informa quantos clientes está transferindo para serem atendidos pela G2, que fará também as vendas futuras de B1, com a Sonda oferecendo soluções complementares (pouca coisa, tendo em conta o ticket médio de uma implementação do tipo). 

Assim como outros canais de grande porte da multinacional antes dela, a Sonda está saindo do mercado de B1 e deixando o lugar para parceiros especializados em atender pequenas empresas.

A Sonda entrou no mercado de B1 em 2012, com o que então era uma oferta pioneira do software como serviço, hospedado no seu data center. 

Entre os clientes divulgados no período, estão a Defenx, fornecedora de antivírus para dispositivos móveis suíça que abriu operações no Brasil e a Nicoll, fabricante e importadora paranaense de tubos e conexões parte do grupo belga Aliaxis.

Ambas empresas, por motivos diferentes, são empresas com alguma sofisticação na sua TI, o que não é o perfil da maioria dos clientes aos quais a oferta B1 está destinada.

O que empresas como a Sonda parecem estar se dando conta é que a venda do B1 é mais difícil do que parece e que os planos da SAP para o software estão cada vez mais cortando a margem de lucro possível.

O Business One tem hoje cerca de 2 mil clientes no Brasil, um número muito distante do mercado potencial. Há tempos a SAP vem sinalizando medidas para transformar o software em um produto de escala.

Parte dela era buscar parceiros OEM como a G2, donos de softwares especializados que podem ser agregados ao core do B1.

Em novembro do ano passado, Sandra Vaz, VP de Vendas para Ecossistema e Canais da SAP Brasil, anunciou o objetivo de contratar dois distribuidores para aumentar a capilaridade da oferta da solução no mercado e atender esse tipo de parceiro.

Eles deveriam ser chamados até o primeiro trimestre desde ano, o que não aconteceu. Não se sabe se o plano continua ou foi abortado.

De qualquer maneira, a empresa não está parada e, em agosto, aumentou a agressividade dessa proposta em termos de preço. 

O Baguete revelou com exclusividade que a empresa colocou uma uma versão simplificada e configurável via web do software ao custo de R$ 249,90 nos primeiros três meses, com um reajuste de R$ 299,90 a partir do quarto mês.

Um site chamado Gestão na Web já está no ar com a oferta, da qual são parceiros o canal paranaense NMS, o Bradesco e a American Express. O pagamento do serviço é feito unicamente pelo cartão, que é emitido pelo banco.

Com essa tacada, a SAP se aproxima da faixa de preço da Série 1 da Totvs, que oferece softwares de gestão segmentados para setor de varejo, manufatura, jurídico e saúde por R$ 99 mensais.

Em agosto do ano passado, no último dado ao qual a reportagem do Baguete teve acesso, a Série 1 tinha 40 mil clientes no Brasil. 

Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) a Totvs tem 52% de participação no mercado de ERP em empresas com até 170 teclados, frente a 9% de SAP e Oracle e um número importante de outros, com 30%.