XP entrou no mercado de criptomoedas.

A XP, maior corretora independente do país, decidiu entrar no mercado de criptomoedas, com uma operação autônoma batizada de XDEX, a ser lançada oficialmente nas próximas “semanas ou meses”. O novo negócio será voltado para o consumidor final, terá uma equipe de 40 pessoas e inicialmente deve permitir a compra e venda de Bitcoin e Ethereum, as duas criptomoedas mais populares.

A novidade foi anunciada por Guilherme Benchimol, presidente da empresa, durante um badalado evento para centenas de pessoas com as presenças dos ex-presidentes Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso em São Paulo nesta quinta-feira, 20.

Benchimol deu a entender que a XP não tinha outra alternativa a não ser entrar no mercado, usando um grau de sinceridade que não é comum nessas ocasiões.

“É um tema que, confesso eu, era melhor que não existisse, mas ele existe. Nós nos sentimos obrigados a começar a avançar nesse mercado”, disse Benchimol.

De acordo com números citados pelo presidente da XP, existem três milhões de brasileiros que “possuem exposição a Bitcoin”, um número superior às 600 mil pessoas que investem em ações, um tipo de investimento que a XP ajudou a popularizar no país.

Apesar da reticência de Benchimol, a entrada da XP pode ajudar o mercado de criptomoedas no país a decolar.

A empresa tem metas de ter um R$ 1 trilhão sob custódia até 2020, quatro vezes mais do que deve ser alcançado até o final de 2018. Um banco também deve ser lançado nos próximos meses.

A fórmula da XP no mercado de ações, com a oferta de uma plataforma online para compra e venda de títulos, hoje com 500 mil clientes ativos, também se encaixa bem no modelo de criptomoedas.

A XP tem ainda o respaldo do Itaú, que comprou 49,9% do capital total da empresa por R$ 6,3 bilhões em maio do ano passado.

O acordo assinado permite que os atuais sócios fiquem no comando da XP até 2033, quando o Itaú terá a opção de adquirir o controle. A partir de 2024, os sócios da XP podem optar pela venda.

Até lá, no entanto, o Itaú se compromete a aumentar sua participação no capital total para 64,2% em 2020 e para 74,9% em 2022, com 49,9% das ações ordinárias. 

A XP está entrando no mercado em um momento propício. Ainda na semana passada, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu inquérito administrativo contra seis bancos para investigar se eles prejudicaram corretoras de criptomoedas, o que parece respaldar a posição das corretoras. 

O inquérito foi aberto depois de denúncia feita pela Associação Brasileira de Criptomoedas e Blockchain (ABCB) de que as instituições estariam prejudicando o acesso das corretoras ao sistema bancário. São investigados Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Santander, Banco Inter e Sicredi.

Na denúncia, a associação alegou que o Banco do Brasil encerrou, sem nenhuma justificativa, a conta corrente da corretora Atlas, que era utilizada para receber depósitos e transferências de clientes que desejavam comprar bitcoins. 

Outros bancos estariam adotando práticas semelhantes e muitos se negaram a abrir contas para a compra de moedas virtuais.

"As informações trazidas aos autos parecem demonstrar que, de fato, os principais bancos estão impondo restrições ou mesmo proibindo o acesso de corretoras de criptomoedas ao sistema financeiro, o que pode trazer prejuízos a essas corretoras", concluiu a superintendência-geral do Cade.

Ao Cade, os bancos alegaram que, na maioria dos casos, encerram as contas de corretoras por entender que essas não seguem precauções necessárias para evitar atividades ilícitas, como lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo e esquemas de pirâmide, o que pode comprometer a integridade do Sistema Financeiro Nacional.

O Cade entendeu que não é razoável que os bancos apliquem medidas restritivas a priori e de forma linear a todas as corretoras, "conferindo um tratamento de ilegalidade à atividade de corretagem de criptomoedas".

Os bancos agora serão investigados pela superintendência do Cade e não há prazo para a conclusão das averiguações. Ao final do inquérito, será emitido um parecer recomendando a condenação das instituições ou arquivamento do processo. A palavra final caberá ao tribunal do conselho.

O mercado de bitcoin no Brasil ainda está se consolidando, com uma série de players no espaço de corretagem e muitos altos e baixos.

De acordo com dados do Índice de Preço do Bitcoin (IPB), ferramenta do Portal do Bitcoin para acompanhar o mercado brasileiro de criptomoedas, o volume negociado em dezembro, o melhor mês de 2017, foi de 57.700 BTCs, equivalentes a mais de R$ 3 bilhões de reais.

Em 2018, entretanto, o volume despencou mais de 80%, entre os meses de dezembro de 2017 e julho de 2018.

Julho de 2018, em contrapartida, teve apenas 9.800 BTCs negociados nas principais exchanges do mercado, equivalentes a poucos mais de R$ 275 milhões, mais de 10 vezes a menos do que o negociado em real no mês de dezembro do ano passado.

Junto com o volume, o preço do bitcoin também despencou em 2018. Desde o início do ano, a criptomoeda já caiu 45%, saindo de R$ 46.990 no dia primeiro de janeiro e sendo negociado próximo dos R$ 25 mil em agosto de 2018. A máxima do ano foi de R$ 56 mil e a mínima de R$ 20,2 mil.

Um levantamento feito pelo Portal do Bitcoin, com ajuda de informações de uma postagem de um grupo do Facebook dedicado a criptomoedas, mostra 41 corretoras de criptomoedas, com algumas em fase de abertura. 

Em julho, a líder de transações foi a Mercado Bitcoin, com 70 mil negociações. A Bitcoin Trade ficou em segundo lugar, com menos da metade e BitCambio em terceiro, com 15 mil. 

Só a BitCoin To You aparece na lista com um volume acima de 10 mil, o restante ficando abaixo disso.