"Vocês viram aqueles impostos que estavam aqui?". Foto: flickr.com/photos/intelfreepress/

Depois de anunciar desoneração de PIS e Cofins para hardware de data centers, o governo federal sinaliza agora para a redução de tributos de água, energia elétrica e de mão de obra nos projetos de construção de novos centros de dados no país.

Segundo o diretor do Departamento de Banda Larga do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra de Oliveira, já existem estudos em andamento em Brasília para viabilizar a redução dos custos operacionais dos data centers.

"O que se discute na pasta é a redução não apenas dos impostos federais, mas também dos estaduais, de modo que se crie um mecanismo de atração de data centers ao país. Precisamos também melhorar o ambiente regulatório", disse Oliveira, que esteve participando do Brasscom Global IT Forum nesta quinta-feira, 24.

Oliveira diz que, atualmente, todos os projetos de construção de data centers apresentados ao governo tiveram redução de 10% no valor total do empreendimento por conta das isenções fiscais. 

Os custos de energia, principalmente, são boa parte da conta de administrar um data center.  Executivos da Locaweb, a maioria empresa brasileira de hospedagem de sites, disseram recentemente que eletricidade respondia por um terço do custo de um data center no Brasil.

A cifra levou a empresa a construir um novo centro em Miami, nos Estados Unidos, onde o gasto é a metade.

De acordo com o diretor do Departamento de Banda Larga, o programa de atração ainda não tem nome definido e nem metas de quantos projetos serão beneficiados no futuro. 

Em abril deste ano, o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, havia comentado a estratégia de atração, mas sem entrar em detalhes.

O principal objetivo da medida, segundo o representante da pasta, seria fazer com que empresas brasileiras, que hoje tem seus data centers fora do país, trouxessem essas instalações para o Brasil.

Nos últimos meses, em meio às revelações de que agências de espionagem americanas e canadenses motinotoravam as comunicações de órgãos do governo, incluindo a presidente Dilma Rousseff, Brasília tem ensaiado uma série de medidas sobre o assunto, incluindo uma proposta para que os dados dos brasileiros sejam mantidos obrigatóriamente dentro do país.

Desonerar a construção de novos centros de dados seria uma medida lógica no sentido de fomentar a hospedagem nacional das informações por aqui, mas pode não ser a garantia de o governo conseguirá o que deseja.

De acordo com Antonio Gil, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da informação e Comunicação (Brasscom), ambos os fatos correm em paralelo, já que o medida planejada por Brasília não garante aumento da segurança.

“A demanda tem origem nos negócios, são duas coisas distintas. Trazer um data center para cá não aumenta o nível de segurança, até mesmo porque ninguém é obrigado a armazenar os dados no país”, explica Gil.

O presidente da Brasscom prefere colocar a medida em termos de fomento ao setor de TI brasileiro. “Cerca de 40% do preço total do projeto é de ICMS. Vemos com bons olhos as medidas de insenção propostas. Big Data, Nuvem e outras tecnologias demandam mais servidores”, completa Gil.

Com a redução dos custos proposta nos planos do governo, o mercado de TI nacional deverá passar por uma onda de aquecimento, sobretudo na indústria de hardware e na área de serviços.

Laércio Consentino, presidente da Totvs e do Conselho de administração da Brasscom, aponta que o mercado nacional vai superar os US$ 123 bilhões de vendas em TI registrado em 2012 por conta das medidas governamentais, além de aprimorar o know-how do setor brasileiro.

"Hoje, estamos entre os cinco maiores mercados de TI no mundo. As medidas de isenção ou redução de impostos vão permitir que passemos a figurar entre os três maiores", disse. "A demanda está aí e existe uma capacidade produtiva que pode atender. Cabe aos reguladores estabelecerem metas que favoreçam a competição", finalizou.

Apesar do volume de gasto em TI no país, um volume pequeno ainda vai para data centers: “apenas” US$ 3,1 bilhões em 2012, segundo números do Gartner. 

No entanto, o segmento é um dos que mais crescem, incremento de 10,7% em relação a 2011, atrás apenas do segmento de dispositivos, com volume de R$ 24,3 bilhões.

Bruno de Oliveira cobriu o Brasscom Global IT Forum com exclusividade para o Baguete Diário.