Black Friday não oferece bons descontos no Brasil. Foto: flickr.com/photos/blazinred

O Buscapé vai investir R$ 15 milhões na criação de uma nova data para descontos no e-commerce, batizada de Dia do Consumidor Brasil e marcada para a quarta-feira, 19 de março.

Em nota, o comparador de preços não revela quantos sites já aderiram, mas informa que grandes nomes como Americanas.com, Casas Bahia, Centauro, Dell, Extra, Magazine Luiza, Marisa, Netshoes, Pontofrio, Ricardo Eletro, Saraiva, Shoptime, Submarino e Walmart.com já entraram no barco.

A iniciativa também conta com o apoio da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara-e.net), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio SP) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

“Assim como a Black Friday, a data trará inúmeras promoções em lojas online, com descontos expressivos, ajudando a alavancar as vendas no começo do primeiro semestre, período tradicional de retração do consumo”, explica o CEO do Buscapé Company Rodrigo Borer.

A liquidação deve se repetir anualmente, sempre em uma quarta-feira, após, ou, no próprio dia 15 de março, data reconhecida pela ONU como Dia Mundial do Consumidor, criada para lembrar os direitos de quem compra, afirma a nota.

A ênfase nos direitos do consumidor não é gratuita. Apesar do sucesso – as vendas da segunda edição tiveram alta de 217%, chegando a  R$ 770 milhões – a versão brasileira do Black Friday tem sido atingida por críticas de consumidores.

Os internautas têm ironizado a promoção do segundo semestre como “Black Fraude”, pela prática de alguns varejistas de oferecerem descontos que são “a metade do dobro”.

Segundo levantamento feito pelo Programa de Administração de Varejo (Provar), da FIA, no último Black Friday no Brasil se analisadas as três semanas anteriores ao evento, juntamente à semana seguinte à promoção em massa, os preços dos produtos "ofertados" mais cresceram do que diminuíram.

O problema foi constatado até mesmo na Black Friday, no dia 29 de novembro. Na data, de acordo com o documento, dentre todos os itens analisados, 21,4% sofreram aumento de preços. Isso representa mais do que o dobro daqueles cujos preços caíram (9,53%). Na média, os aumentos foram de 10,2% e os descontos de 10,6%. 

Na semana seguinte às promoções, 22,6% dos produtos tiveram queda nos preços - número mais de duas vezes maior do que o de itens que tiveram os preços diminuídos na data (9,5%).

Resta saber se o Buscapé conseguirá fazer com que os mesmos varejistas que não dão descontos consistentes no Black Friday diminuam preços no  Dia do Consumidor Brasil.