Carlênio Castelo Branco, presidente da Senior.

A Senior faturou R$ 192,5 milhões em 2014, uma alta de 36% frente ao ano anterior e acima da média histórica da empresa, que nos últimos anos cresceu na faixa dos 20%.

O EBITDA (ganhos antes dos impostos, taxas, depreciações e amortizações) da empresa de Blumenau cresceu 39% acima do resultado de 2013, atingindo R$ 32,6 milhões.

“Crescer acima de 30% é sempre bom, mas obter esse crescimento em um ano de economia estagnada como foi 2014 é ainda melhor, ainda mais porque conseguimos ganhos de eficiência, aumentando nossa margem sem abrir mão de investimentos em pesquisa e em pessoas”, afirma Carlênio Castelo Branco, presidente da Senior.

Parte do crescimento foi obtido pela incorporação do faturamento da Sythex, empresa de sistemas de gestão de armazéns (WMS, na sigla em inglês) adquirida em outubro de 2014, cuja expectativa era faturar R$ 13 milhões no ano passado, e do canal paulista PMS, que agregou outros R$ 23 milhões.

De acordo com Branco, a projeção para 2015 é crescer 30%, mesmo com as projeções cada vez mais pessimistas sobre o desempenho da economia brasileira – o último Boletim Focus, divulgado nesta semana, aumentou a projeção de queda do PIB para 0,5%.

No longo prazo, a Senior trabalha com a meta de chegar a 2022 com um faturamento de R$ 1 bilhão, o que, de acordo com Carlênio, significa seguir comprando empresas com atuação complementar (a compra do canal PMS foi um negócio de oportunidade e não parte de uma estratégia de longo prazo).

Além de negócios consolidados, a Senior tem apostado em startups, através do programa Inove Senior. A iniciativa está selecionado 10 empresas nascentes para receber aportes de capital. Ao todo, a empresa também investiu R$ 29 milhões em P&D.

“Estamos de olho em soluções complementares nos segmentos de agronegócio, varejo e manufatura”, adianta Branco.

Dados de uma pesquisa anual da FGV sobre o mercado de sistemas de gestão no país mostram que no segmento de empresas menores, com até 170 teclados, a Totvs lidera com 52% frente a 9% de SAP e Oracle e um número importante de outros, com 30%.

Um pouco acima, na faixa  entre 170 e 700 teclados, a participação dos “outros”, majoritariamente empresas brasileiras como a Senior, já fica em 18%, frente a 41% da Totvs, 24% da SAP e 17% da Oracle.

Caso mantenha o ritmo de crescimento atual, a Senior cada vez mais se adiantará em relação ao pelotão imediatamente anterior na corrida das empresas nacionais de ERP formado por companhias como a paulista Mega ou a gaúcha Cigam.

“Acredito que esse mercado acabará tendo poucos players. É uma questão de definir se a empresa vai ser um consolidador ou uma consolidada”, afirma Castelo Branco.