Cristiano Paim Buss

A Stara, fabricante de máquinas e equipamentos agrícolas sediada em Não-Me-Toque, no norte do Rio Grande do Sul, está investindo em mobilidade como parte de uma aposta mais ampla por se posicionar como uma empresa de produtos de alta tecnologia.

Recentemente, a empresa equipou 34 representantes com tablets Galaxy da Samsung com um aplicativo para dar suporte no atendimento a clientes no campo.  

Criada pela T-Systems, que ao longo do ano passado foi a responsável pela implantação de um ERP da SAP na companhia, a solução permite um fluxo mais rápido de informações entre os profissionais e a empresa, com os dados voltando em apenas 12 horas, frente a um prazo de até 90 dias antes.

Os profissionais da Stara atendem clientes com problemas mais complexos. Ao longo do segundo semestre, a meta é que 400 colaboradores de concessionárias que fazem o atendimento de primeiro nível também contem com a novidade.

“A ideia do projeto de mobilidade é alimentar mais rapidamente a produção e o desenvolvimento com informações valiosas”, afirma Cristiano Paim Buss, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Engenharia de Produto, Novos Negócios e TI da Stara.

Os dados do pós venda serão alimentados no sistema de gerenciamento de ciclo de vida do produto (PLM, na sigla em inglês) Windchill da PTC usado na Stara criando um feedback que permita a empresa saber, por exemplo, que peças precisam ser reprojetadas em futuras versões.

O reprojeto pode ser tanto por defeitos, quando uma peça ou mecanismo dá problemas mais do que deveria, ou por ausência de falhas, o que pode sinalizar que a empresa está usando mais material do que necessita para construir uma máquina eficiente.

Essa visão da vida do produto como um todo é cada vez mais importante na Stara, uma empresa na qual hoje cerca de 30% do faturamento de cerca de R$ 1 bilhão em 2013 (a meta é chegar a R$ 1,5 bilhão até 2017) veio de produtos criados nos últimos três anos.

“É igual à da 3M, que é uma referência quando o assunto é inovação”, aponta o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Engenharia de Produto, Novos Negócios e TI da Stara.

O próprio cargo de Buss, apesar de meio comprido, é uma mostra da visão da empresa. O executivo, formado em Ciências da Computação, é responsável pelo desenvolvimento de produtos da companhia, trabalhando lado a lado com engenheiros mecânicos e elétricos.

Cada vez mais, o diferencial dos produtos da Stara está na tecnologia embarcada nos produtos e muito disso é software. 

Desde 2006, a empresa desenvolve internamente os seus computadores de bordo, o que não é a regra nem para grandes players multinacionais do segmento, que muitas vezes compram essa tecnologia de terceiros.

Os lançamentos previstos para os próximos meses incluem equipamentos capazes de enviar informações gerenciais – características do solo, uso de fertilizantes e outras coisas do gênero – diretamente para os ERPs dos produtores. 

Do total de 170 pessoas trabalhando em pesquisa e desenvolvimento na empresa, cerca de um quarto estão focados em software e hardware.

Assim, Não-Me-Toque, uma cidade de pouco mais de 16 mil habitantes no coração agrícola do Rio Grande do Sul, tem se tornado um polo de empregos para profissionais da região formados em engenharias. Recentemente a cidade recebeu o título de “Capital da Agricultura de Precisão”.