Carlos Schwartzhaupt, presidente do ForTI.

Um grupo de instituições de ensino superior gaúchas está liderando uma mobilização de negociação coletiva que pode ter um impacto significativo nas compras de TI no segmento educacional do Brasil.

O Fórum de TI das Instituições de Ensino Superior Comunitárias e Filantrópicas do Rio Grande do Sul (ForTI), que une 15 instituições de ensino gaúchas, quer repetir em maior escala o bem sucedido modelo de negociação de um contrato feito com a Adobe no ano passado.

Na ocasião, oito instituições ligadas ao grupo fecharam um contrato com a multinacional envolvendo 30 mil máquinas, em uma negociação intermediada pelo canal gaúcho CGK.

Não foram abertos valores, mas Feevale, Unisinos, PUC-RS, Unisc, Univates, UPF e Unijuí obtiveram um desconto significativo em um contrato de três anos para uso de softwares da multinacional nas áreas de design, web, vídeo e fotografia, através do Adobe Creative Cloud.

“Pela própria característica da nossa atividade, as universidades são grandes compradoras de tecnologia, para uso em laboratório por alunos, por exemplo. O problema é que o modelo de cobrança das empresas fornecedoras não reconhece nossas particularidades”, explica Carlos Schwartzhaupt, presidente do ForTI.

Nesta semana, o ForTI fez o seu segundo seminário anual em São Leopoldo, reunindo, além de representantes das 15 instituições fundadoras, outros 15 gestores de TI de instituições de ensino de outras partes do país, como a paulista PUC-SP, a catarinenses Unisul e Univali e a paranaense Unicuritiba.

De acordo com Schwartzhaupt, em conversas o grupo já identificou outros softwares que poderiam ser alvos de uma negociação coletiva nos moldes da feita com a Adobe.

As universidades comunitárias gaúchas mantém uma tradição antiga de diálogo e ação coletiva. As participantes do ForTI replicaram a partir de 2005 em nível de tecnologia a  Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas (Comung), no qual o debate acontece em nível de reitoria desde 1993.

Foi justamente a existência do Comung, que tem uma pessoa jurídica atrelada ao seu nome, que possibilitou a concretização do negócio com a Adobe. Outras iniciativas do gênero costumam naufragar por problemas administrativos decorrentes da falta de um intermediário desse tipo.