Voltem mais tarde. Foto: Pexels.

Os Estados Unidos anunciaram neste domingo, 23, que irão barrar a entrada de pessoas vindas do Brasil por causa da pandemia de coronavírus partir da sexta-feira, 29.

A medida já vinha sendo especulada por pelo presidente americano, Donald Trump, desde 28 de abril. Na ocasião, durante um encontro com o governador da Flórida, Trump cogitou a possibilidade de um fechamento.

Também estão proibidos de entrar estrangeiros que tenham passado pelo Brasil nos 14 dias anteriores. 

As exceções são para pessoas que residam nos Estados Unidos ou sejam casadas com um cidadão americano. Filhos ou irmãos de americanos ou residentes permanentes também poderão entrar, desde que tenham menos de 21 anos.

Membros de tripulações de companhias aéreas ou pessoas que ingressem no país a convite do governo dos EUA também estão isentas da proibição.

Em um primeiro momento, a medida deve afetar poucas pessoas, uma vez que os voos entre os dois países já estão bastante reduzidos. 

Os voos para Nova York, Washington e Atlanta já estavam suspensos, sobrando apenas os destinados para Texas e Flórida.

Entre 11 e 17 de maio, cerca de 1,8 mil viajantes do Brasil entraram nos Estados Unidos, informa o G1. Provavelmente, são passageiros que se enquadram nas exceções, uma vez que turismo e viagens a negócios estão em níveis mínimos.

O problema maior talvez seja o sinal que a decisão americana manda para outros países.

A União Européia, por exemplo, já barra desde 17 de março a entrada de brasileiros de maneira similar a agora adotada pelos americanos. Recentemente, a medida foi prorrogada por mais 30 dias até 15 de junho.

Mas essa restrição foi imposta a todos os viajantes de países de fora da UE como uma medida geral de limitação de movimentações. 

Mesmo entre países da União Européia com fronteiras terrestres existem limitações de trânsito, uma situação extraordinária. Mas pouco a pouco a restrições estão sendo liberadas, na medida em que o pior da pandemia parece ter passado no Velho Continente.

A medida americana, por outro lado, se orienta exclusivamente a brasileiros e foi justificada  com base na gravidade da situação sanitária do Brasil, que vai despontando como o próximo epicentro global do Covid-19.

Neste domingo, os Estados Unidos registravam 97.599 mortes pela doença, segundo a universidade Johns Hopkins. Já o Brasil tinha 22.013 mortes. No mesmo domingo, porém, o Brasil registrou 653 mortes, mais do que as 638 dos Estados Unidos.

Com a movimentação americana, aumenta a possibilidade que a União Européia mantenha as restrições para brasileiros, mesmo quando reabrir as portas.

Já há sinais nesse sentido. Um dos principais critérios a serem adotados pela UE é que os visitantes venham de países com uma situação epidemiológica em evolução positiva e semelhante em relação à Covid-19, com a consolidação de uma taxa de transmissão suficientemente baixa.

O indicador monitorado na maioria dos países europeus, chamado de taxa de contágio,  indica para quantas pessoas, em média, cada infectado transmite o coronavírus. 

Quando ela está acima de 1, significa que a doença está fora de controle e a infecção está se acelerando.

Neste contexto, a taxa de contágio estimada para o Brasil é o dobro do considerado minimamente aceitável, além de estar entre as mais altas entre 54 países acompanhados pela Imperial College, centro de referência no controle de epidemias.