Marcelo Prata, fundador da Resale. Foto: Murillo Constantino.

Uma aquisição de startup permitiu, pela primeira vez no Brasil, a saída em bloco de todos os investidores que compraram participação no negócio em rodadas de equity crowdfunding. A operação foi concretizada em maio, quando o BTG Pactual anunciou a aquisição de 65% do controle da Resale, plataforma especializada em gestão comercial e venda de imóveis retomados como garantia de financiamentos imobiliários.

Para arrematar a transação, o BTG Pactual organizou, em conjunto com a Resale, uma reestruturação societária que envolveu a compra total das ações de seis sócios minoritários, a compra de parte das ações dos sócios-fundadores (Marcelo Prata e Paulo Nascimento) e a totalidade das opções de compra de 33 investidores, equivalente a 6,5% do capital da empresa. 

Desses últimos, 13 participaram da primeira rodada de captação de investimentos via equity crowdfunding e 17 da segunda rodada, em 2016 e 2018, enquanto outros três investiram em uma rodada privada, realizada em 2017 em operações de capitalização para a expansão da startup.

A Resale realizou as duas operações de crowdfunding por meio do Kria, fintech de investimento em startups online. O Kria já permitiu a captação de R$ 40 milhões desde que foi criado, em 2014, com a realização de 80 ofertas, envolvendo aproximadamente 3 mil investidores e 61 empresas investidas.

Na operação de venda da Resale para o BTG Pactual foi feito o pagamento do “tag along” a todos os investidores e minoritários. Esse mecanismo garante que cada um receba, proporcionalmente a sua participação no negócio, o mesmo valor pago pelo Banco às ações dos acionistas originais e cofundadores da startup. 

A Resale havia adotado o modelo de Título de Dívida Conversível no momento da operação do crowdfunding, no qual o investidor poderia, ao final de determinado período, converter o título em ações.

Para a concretização da aquisição pelo BTG, além da aprovação da operação pelo Banco Central, todos os investidores precisaram estar de acordo com o negócio. 

O ticket médio de investimento médio dos minoritários foi de R$ 8 mil na startup. O rendimento obtido por aqueles que entraram no negócio durante a primeira rodada chegou a 128%. Já os investidores que ingressaram durante a segunda rodada, em 2018, saíram com 87%.

Criada em 2015, a Resale oferece soluções a instituições financeiras para facilitar a gestão comercial de imóveis recebidos de financiamentos imobiliários inadimplentes e a sua posterior venda ao mercado. Além de conectar esses estoques de imóveis a diferentes canais de venda, a plataforma também pode atuar na venda direta ao consumidor, dependendo da estratégia comercial de cada banco.

O BTG Pactual aposta na capacidade da startup de trazer para sua plataforma o estoque dos imóveis retomados dos bancos em todo o Brasil. A organização espera capturar sinergia entre as operações da Resale e da Enforce, o braço de recuperação de créditos vencidos e inadimplentes do banco, que também atua na precificação de imóveis e na gestão de carteiras de ativos estressados. 

Adquirida pelo BTG Pactual em 2016, a Enforce já tem uma carteira superior a R$ 35 bilhões sob gestão.