HP Inc entrou em impressoras 3D em 2016. Foto: divulgação.

A HP Inc fechou um acordo com a Deloitte focado em vender impressoras 3D da HP em ambientes de fabricação em larga escala.

A aliança combina as soluções e ferramentas de impressão 3D Jet Fusion e a entrega dos canais HP com a experiência da Deloitte em um trabalho mais consultivo de criação de operações digitais e cadeia suprimentos, que formam o contexto mais amplo no qual esse tipo de tecnologia faz parte.

“A Quarta Revolução Industrial já começou. Nenhum setor da economia global está passando por uma transformação tão radical quanto o mercado de manufatura”, afirma Dion Weisler, presidente e CEO da HP Inc. 

A HP anunciou sua entrada no mercado de impressoras 3D em 2014, mas o produto só apareceu para valer em 2016.

A promessa é que os equipamentos poderiam ser usados para produção em massa, no lugar de somente prototipagem rápida.

Analistas apontam que a HP pode representar um concorrente forte para os líderes Stratasys e 3DSystems, que, de acordo com a consultoria especializada Wohlers Associates, tem juntas 22% do mercado.

O menor crescimento da dupla fez com que o mercado de impressão 3D crescesse 17,4% no ano passado, para US$ 6,06 bilhões, uma queda no ritmo frente aos 26% do ano anterior.

Não há informação sobre  o tamanho específico do negócio de impressão 3D na HP Inc, mas depois da separação da HP, a área que reúne PCs e impressoras tem tido um bom desempenho como um todo.

No último trimestre fiscal, a empresa teve vendas de US$ 13,1 bilhões, uma alta de 10% frente ao mesmo período do ano anterior. No mesmo período, a Stratasys fechou com US$ 170 milhões, uma queda de 1,2% frente ao mesmo período do ano anterior.

A HP Inc afirma ter clientes como BMW Group, Jabil, Johnson & Johnson e Nike na sua área de impressão 3D, além de um “ecossistema” que inclui empresas como SAP, Siemens, Autodesk e Materialize.

A Deloitte, por sua vez, tem seus próprios acordos de colaboração, incluindo Amazon Web Services, Cloudera, Dassault Systèmes, Google Cloud, SAP e Siemens.

A multiplicidade de alianças tem seus motivos. Um projeto de digitalização de uma manufatura envolve pelo menos três aspectos diferentes, dentro dos quais os equipamentos de impressão 3D são o aspecto mais simples, determinado pelo tipo de material com qual cada máquina trabalha. 

A complexidade cresce com o problema de integrar isso aos softwares de design e gestão  de ciclo de vida dos produtos (o campinho de empresas como Dassault, Autodesk e Siemens) e com os sistemas de gestão (o mundo da SAP), dentro de uma arquitetura construída na nuvem (AWS e Cloudera).

É por isso que a movimentação de HP Inc e Deloitte, junto com todos esses associados, se repete através da indústria, uma vez que nenhum player tem a resposta total.

A Stratasys, para ficar no exemplo mais imediato, fechou no ano passado dois acordos parecidos.

Com a SAP, criou cinco laboratórios de coinovação para impressão 3D.

Os espaços devem educar e capacitar clientes, funcionários e parceiros sobre como soluções de manufatura aditiva, a especialidade da Stratasys, podem funcionar com  fluxos de trabalho de certificação, planejamento, suprimento e produção, o foco da SAP.

Com a Siemens PLM, a empresa fechou um acordo para aumentar a integração das suas impressoras 3D com os softwares de design e ciclo de vida do produto da multinacional alemã. 

Tudo isso, no entanto, ainda parece muito longe do Brasil.

De acordo com dados da Wohlers Associates de 2015, a América do Norte representa 40% do mercado mundial de impressoras 3D, seguidas da Europa, com 28% e Ásia Pacífico, com 27%, deixando apenas 5% para o resto do mundo.