Jorge Tonetto falou em evento da Softsul. Foto: Adriana Marchiori

A PUC-RS e a Ufrgs estão trabalhando juntas para instalar um parque tecnológico na área do Quatro Distrito de Porto Alegre, antiga área industrial hoje alvo de uma iniciativa de revitalização comandada pela prefeitura da capital gaúcha.

A colaboração, que vinha correndo em segredo até o momento, foi revelada pelo secretário de Fazenda de Porto Alegre, Jorge Tonetto, durante o evento Conexão Softsul, realizado pela entidade gaúcha nesta quinta-feira, 24.

De acordo com Tonetto, as duas instituições de ensino estão colaborando na busca de um local na região, um retângulo entre a rodoviária e a avenida Sertório, limitada nas suas extremidades pela avenida Farrapos e a linha do Trensurb.

A cooperação envolve professores da área de arquitetura das duas instituições, além da alta gestão das universidades. 

Em julho, autoridades de Porto Alegre conheceram a experiência do distrito de inovação 22@Barcelona, em uma missão organizada pela PUC-RS da qual participou o Jorge Audy, pró-reitor de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento da instituição. Em breve, a UFRGS fará algo parecido no Porto Digital, em Recife.

Em tese, qualquer uma das instituições teria condições de organizar uma empreitada dessas por conta própria. No entanto, de acordo com Tonetto, a cooperação minimiza os riscos na empreitada, além de ser um facilitador para captação junto ao governo federal.

Analisando o estágio das ações das duas instituições na área, é possível ver grandes vantagens em unir forças para ser um atores principais na regeneração de uma área atualmente problemática, mas com um grande potencial de futuro e no coração de Porto Alegre.

A fase I do Tecnopuc, parque tecnológico da PUC-RS, fica localizado ao lado do campus da universidade gaúcha e não tem condições de receber ampliações significativas. Uma nova fase começou em Viamão, mas tem avançado mais lentamente. 

A UFRGS, por outro lado, apesar de ser a segunda instituição brasileira em pesquisa acadêmica e berço de boa parte das maiores companhias gaúchas de tecnologia, enfrenta dificuldades para fazer decolar o projeto do Parque da UFRGS, a ser construído no Campus do Vale, outra área afastada do centro da cidade.

“O que está acontecendo no Quarto Distrito é irreversível. Será um grande ganho para a cidade”, promete Tonetto, que lidera uma força tarefa de nove secretarias envolvidas na tarefa e tem se dedicado quase de maneira integral ao projeto. "Hoje eu sou secretário da Fazenda só duas horas por dia", brinca.

Quem passou recentemente pelos grandes galpões industriais abandonados, baixo meretrício e decadência pós-industrial generalizada que ocupa boa parte do Quatro Distrito, um projeto de revitalização discutido na capital gaúcha décadas, pode ser desculpado por ouvir com saudável ceticismo as palavras de Tonetto.

Mas a verdade é que estão em curso mudanças que podem finalmente tirar a região do ostracismo no qual entrou ainda nos anos 1970, quando a base econômica de Porto Alegre começou a se voltar para serviços e a indústria abandonou a cidade em busca de espaços mais baratos na região metropolitana e além.

De acordo com Tonetto, a prefeitura deve mandar para votação na Câmara de Vereadores em breve uma série de medidas destinada a prover estímulo para ocupação da área, incluindo isenção do IPTU por cinco anos e do ITBI, imposto cobrado quando da venda de imóveis.

Nos últimos anos, investimentos em saneamento como o Conduto Álvaro Chaves, uma obra de R$ 59 milhões, resolveram o problema crônico de inundações na região. Também está em curso a duplicação da Voluntários da Pátria e devem ser construídos novos acessos para romper o isolamento da área.

Alguns empreendimentos imobiliários já apostaram na área. Em 2013, a Rossi inaugurou um condomínio na área da antiga fábrica de tecidos Fiateci, incluindo um edifício comercial com 14 andares e outros três residenciais com 400 apartamentos, além de um centro comercial para 80 lojas.

Um destaque mais recente é o Vila Flores, um centro cultural multifuncional localizdo em um terreno de 1,4 mil metros quadrados que abriga um prédio tombado pelo patrimônio histórico, construído nos anos 1920 para funcionar como casas de aluguel para operários de uma das fábricas que populavam a região.

O investimento em novas moradias e espaços culturais é uma boa notícia para a estratégia em curso na prefeitura, que visa transformar o Quatro Distrito em uma região com alternativas de trabalho, habitação e vida cultural atrativa para os funcionários bem remunerados de empresas de pesquisa e desenvolvimento.