Susana falou no Tá na Mesa. Foto: Ivan Andrade

O Badesul, banco de fomento do Rio Grande do Sul, está reformulando sua atuação, para incluir entre seus objetivos ser um fomentador de parcerias público privadas, tando em nível de governo estadual como municipal.

A diretora-presidente do Badesul, Susana Kakuta, apresentou a nova linha da organização nesta quarta-feira, 25, durante a reunião almoço Tá na Mesa na Federasul.

A nova orientação pode ser benéfica para o setor de tecnologia, na medida em que objetivo do Badesul é ajudar os cerca de 500 municípios a fazerem um melhor planejamento, o que pode incluir ferramentas de tecnologia, além de estruturar PPPs para iniciativas como construção de redes de fibras óticas, por exemplo.

“Nossa ideia é apoiar tanto na construção da manifestações de interesse por parte do governo como na avaliação das propostas destacadas”, explica Kakuta, destacando que qualquer melhoria que possa ser cobrada como um serviço é uma candidata natural para uma PPP.

No caso da fibra ótica, as PPPs gaúchas poderiam ocupar o espaço do programa Cidades Digitais do governo federal, que subsidiava a instalação desse tipo de estruturas e foi paralisado por Brasília em meio às atuais restrições orçamentárias.

A profissional não é uma novata nem no Badesul, que presidiu durante o governo Yeda Crusius (PSDB) presidiu a mesma instituição, nem no segmento de tecnologia: Susana presidiu o parque tecnológico da Unisinos, em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre.

O novo foco tem dois motivos que se reforçam um ao outro. O primeiro é a aposta do governador José Ivo Sartori de usar PPPs como uma maneira de promover investimentos no Rio Grande do Sul. A expectativa é que anúncios sejam feitos nesse sentido no ano que vem.

Investimento direto está descartado. O Rio Grande do Sul passa por uma crise orçamentária que vem comprometendo inclusive o pagamento em dia do funcionalismo.

Outro motivo é reduzir a dependência do Badesul do BNDES. Quase 90% dos recursos emprestados pelo banco são oriundos de Brasília, o que é um problema nos dias atuais.

A ideia é seguir com com programas de fomento a empresas inovador como o Criatec (com recusos federais) e aos financiamentos normais do Badesul, mas com mais "foco" e "exigência" nas operações, comenta Susana. 

O reposicionamento do Badesul também tem um componente de reflexão pós-ressaca.

Em 2013, o banco ao entusiasmo em Brasília com o fomento da economia por meio de crédito barato, o banco liberou nada menos que R$ 1,6 bilhão em recursos. O valor foi 60% superior ao do ano anterior e três vezes maior do que o de 2011.

Como o banco opera com carências de até dois anos e um spread de juros ainda menor que o BNDES, ao mesmo tempo em que assume o risco pelos eventuais calotes o resultado foi que no exercício de 2014 o Badesul fechou em positivo de R$ 1 milhão graças apenas à incorporação ao patrimônio do prédio no qual está instalado no centro de Porto Alegre.

Um exemplo dos calores que o Badesul amargou foi a Iesa, para quem o banco emprestou R$ 44 milhões tendo como garantia uma fábrica que seria construída em Charqueadas. A empresa teve um contrato de R$ 1,3 bilhão com a Petrobras rescindido por causa da Lava Jato e fechou. 

Nos primeiros seis meses desse ano, o prejuízo já chegava a R$ 39 milhões, número que com medidas de contenção e recuperação de crédito Susana espera levar a R$ 19 milhões neste ano e R$ 16 milhões em 2016.