Sapatos da Arezzo. Foto: Instagram Arezzo.

A Arezzo vai implementar um sistema de gestão da SAP.

A informação foi passada ao Baguete por fontes de mercado. Procurada pela reportagem do site, a empresa afirmou por meio da sua assessoria de imprensa que não comentaria o assunto por estar em período de silêncio prévio a divulgação dos resultados do trimestre no Bolsa de Valores.

Em janeiro, o vice-presidente da companhia sediada em Campo Bom, Alexandre Birman, revelou ao Valor Econômico que a empresa tinha planos de fazer investimentos em TI em 2013.

A Arezzo teve lucro líquido de R$ 28,6 milhões no terceiro trimestre de 2012, alta de 10,2% na comparação com o mesmo período de 2011, e receita líquida de R$ 246,6 milhões, crescimento de 30,6% ano/ano.

Dona de marcas de calçados femininos de alto padrão (Arezzo, Schutz, Alexandre Birman e Anacapri) a empresa tem 340 lojas no país em mais de 160 cidades empregando mais de dois mil funcionários.

O cliente pode ser o case que a SAP buscava para entrar com mais força no segmento coureiro-calçadista, onde os cases de adoção de software de gestão dos grandes players de mercado são escassos.

No final da década de 90, a multinacional entrou mal nesse mercado no Rio Grande do Sul, com um projeto não concluído na Picadilly no qual foi feito uma tentativa de adaptar a solução de manufatura para área de calçados, sem sucesso.

Desde então, a empresa tem feito um esforço para decolar no país o AFS, uma solução vertical para a área de calçado e vestuário que reconhece características particulares do setor, como a extrema complexidade de grade de produtos.

Parceiros internacionais da SAP especializados no segmento vieram ao país, como a Attune, que chegou a fechar um contrato com a fabricante de bolas e chuteiras Dal Ponte, de Veranópolis. No entanto, a empresa fechou as portas por aqui em 2009, apenas três anos depois de abrir a operação.

Klaus Ferreira Schramm, country manager da Attune, ficou pelo país para abrir as portas da Clientis-S3G, outra multinacional especializada no AFS. A empresa fechou alguns contratos, a maioria no segmento de vestiário como Marisol e Hering e pelo menos um na área de calçados, como na Alpargatas.

Cada empresa que revende o AFS nunca falha em frisar que o software tem centenas de cases de implementação em todo mundo, argumento que não causa muito efeito no Vale do Sinos, região de colonização alemã onde estão sediada as maiores empresas de calçadistas do Rio Grande do Sul.

Quem sabe o case da Arezzo vá funcionar melhor. Em outubro de 2011, em entrevista ao Baguete Diário, o diretor administrativo financeiro da Paquetá, Jorge Strassburger, afirmou que a empresa considerava mudanças importantes na sua área de TI.

As novidades, que seriam analisadas em um processo com duração de um ano - vencido por alguns meses, por tanto - poderiam levar à substituição de pelo menos parte dos sistemas desenvolvidos internamente por um sistema de gestão de mercado.

A fabricante e varejista gaúcha da área de calçados nascida em Sapiranga, município vizinho Campo Bom, faturou R$ 1,9 bilhão em 2011. Seria uma das últimas grandes implementações de ERP disponíveis no país.