Pequeno satélite leva pequeno investimento. Foto: divulgação.

O sonhado Polo Espacial Gaúcho sofreu um imprevisto em seu planejamento. Embora tenha sido selecionado entre os finalistas do edital Inova Aerodefesa, da Finep, no final do ano passado, o projeto do microssatélite gaúcho recebeu apenas uma fração do investimento desejado.

Para o desenvolvimento do MMM-1, satélite de pequeno porte voltado a aplicações de defesa e monitoramento, o valor inicialmente solicitado foi de R$ 43 milhões, em um projeto apresentado pela AEL Sistemas, empresa-âncora do polo.

No entanto, a Finep liberou apenas R$ 5 milhões a fundo perdido para a iniciativa, uma parte pequena do total de R$ 293 milhões liberados pela instituiçao para um total de 53 projetos.

Outro ponto polêmico do resultado divulgado pela Finep é de que boa parte do bolo de investimentos foi para empresas do polo aeroespacial em São José dos Campos, que já desenvolve atualmente o primeiro satélite geoestacionário do país.

Sobre o resultado, a portoalegrense AEL confirmou o recebimento de "uma fração muito pequena dos recursos solicitados ao Inova Aerodefesa", mas destacou que o Polo Espacial Gaúcho - aliança com o poder público, iniciativa privada, universidades e institutos - continua.

"A AEL Sistemas, conjuntamente com outros parceiros, está buscando alternativas de financiamento para dar prosseguimento ao projeto. A AEL Sistemas tem convicção que o Polo Gaúcho, em razão da qualidade dos parceiros é um projeto sólido, capaz de fortalecer o desenvolvimento tecnológico do Rio Grande do Sul e a indústria de alta tecnologia de defesa do país", destacou a empresa em comunicado.

A informação remete à declaração dada em outubro pelo vice-presidente da AEL, Vitor Neves, que afirmou que mesmo sem os recursos da Finep, o projeto seguiria adiante, mesmo que comprometendo seu cronograma de entrega, previsto inicialmente para 2015.

Quando perguntado sobre as alternativas para tocar o satélite adiante, o vice-presidente não deu detalhes, mas não descartou a possibilidade de buscar investimentos de fora.

Com pouco menos de 10kg e 30cm de altura, o MMM-1 puxa o ambicioso programa espacial gaúcho, compromisso firmado pelo governador Tarso Genro em maio do ano passado em Israel, com o apoio da AEL e universidades como Unisinos, Ufrgs, PUC-RS e UFSM, assim como empresas como Digicon, GetNet e TSM. Estatais como Cientec e Ceitec também estão no bolo.