Problemas deixaram a Allianz em alerta vermelho. Foto: flickr.com/photos/az1172/

A migração do sistema de emissão de apólices da Allianz, terceira maior seguradora do mundo, causou sérios problemas na operação brasileira da companhia, com um prejuízo estimado entre R$ 100 milhões e R$ 400 milhões.

A revelação é da última edição da Exame. A estimativa de prejuízo mais baixo (de qualquer maneira, 2,5% do faturamento em 2013) foi dada à publicação pela própria Allianz e a mais alta pelo sindicato dos corretores de São Paulo.

Os problemas teriam atingido de 10% a 15% dos 14 mil corretores da companhia no país.

A matéria da Exame não aponta quais seriam os fornecedores da nova plataforma. Uma pesquisa da reportagem do Baguete, no entanto, revela que o sistema foi desenvolvido por outra gigante alemã, a T-Systems.

O novo sistema, que substitui sete ferramentas em uso no Brasil, uma para cada tipo de apólice, entrou no ar no começo de janeiro, mas instabilidades no serviço fizeram com que os corretores não conseguissem cadastrar novas apólices.

Em um case da T-Systems disponível na Internet, a empresa revela que o processo de integração começou em 2009 com a unificação dos sistemas de Portugal e da Espanha.

No ano seguinte, o projeto seguiu para a Colômbia. De acordo com o texto, um dos desafios é migrar dados de clientes de outros países para um sistema desenhado para atender requisitos da União Européia.

Em comunicado enviado ao Baguete, a Allianz disse que a fase de estabilização da nova plataforma, batizada de Advanz, já está chegando ao seu final neste mês.

A empresa também descatou o tamanho do esforço envolvido na migração, da qual participam cerca de 400 técnicos, além de outras 70 pessoas de outras partes da operação. 

Os recursos tem participação de times de TI da Espanha, Portugal e Colômbia, onde o software foi implementado com sucesso, ainda que sofrendo os mesmos problemas de instabilidades iniciais.

Num recurso retórico que fará mais de um gerente de projeto sorrir, a Allianz reforça os ganhos obtidos pelos outros países, depois de atravessar o vale de lágrimas inicial. 

Na Colômbia, por exemplo, a carteira de Automóvel individual cresceu 32%, em 2013. Já as operações portuguesas, no ano mais crítico da economia do país, conquistou um crescimento de 9% em seu faturamento, depois da implementação.

A reportagem também procurou a T-Systems do Brasil. Através de nota assinada pelo diretor de Global Delivery Unit Horizontal Solutions Services, Sandro Freni, a subsidiária brasileira da companhia disse que teve um envolvimento pequeno no processo de implementação do Advanz.

Freni explica que a plataforma fica hospedada na Allianz da Espanha e que a T-Systems do Brasil foi contratada em modo bodyshop junto com a Everis para trabalhar na migração dos dados dos sistemas antigos para o novo.