FIM

Google Cloud acaba com a festa dos vendedores

26/03/2021 13:12

Divisão de computação em nuvem parou de oferecer comissões ilimitadas. 

Quem precisa de um milhão de dólares quando pode jogar pingue pongue, certo? Foto: Divulgação/Google.

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O Google Cloud introduziu um limite nas comissões pagas aos vendedores da empresa, revertendo uma decisão de 2019 para tentar conter um pouco das perdas na unidade de cloud computing, atualmente na casa dos bilhões por ano.

A decisão de não ter limites nas comissões, uma prática pouco comum no mercado, foi uma das primeiras tomadas por Thomas Kurian ao assumir como CEO vindo da Oracle.

A intenção era atrair uma força de vendas de ponta, o que de fato aconteceu. Só que, segundo revela o site The Information, um dos mais bem informados do Vale do Silício, alguns dos melhores vendedores da empresa chegaram a ganhar comissões na casa de US$ 1 milhão no ano passado.

Agora, as comissões vão ter um teto de cinco vezes o valor total da meta anual de um vendedor. Assim, se a meta for US$ 1 milhão, serão pagas comissões até US$ 5 milhões. O que o vendedor fizer acima disso, não será pago.

O Google corre o risco de perder alguns dos melhores vendedores, mas outras empresas também tem políticas similares, indica o The Information.

A medida visa segurar a sangria no Google Cloud, que teve receitas de US$ 13 bilhões em 2020, um crescimento de 47% frente ao ano anterior, mas mesmo assim causou um prejuízo de US$ 5,61 bilhões, uma alta de 30%.

Nos últimos três anos, o prejuízo acumulado chega a US$ 14,6 bilhões.

O Google está gastando pesado em infraestrutura, contratações de executivos de alto calibre e na formação de um canal de venda no mercado corporativo (a equipe triplicou no período).

Em 2020, a empresa fechou contratos acima de US$ 1 bilhão, além de triplicar o volume de contratos de US$ 250 milhões, então é possível imaginar o tamanho de algumas comissões.

CONTRATAÇÕES DE PESO NA AMÉRICA LATINA

O Google Cloud fez uma grande lista de contratações de peso na América Latina nos últimos anos.

Em janeiro, chamou Alberto Oppenheimer, um executivo de carreira da SAP, para assumir como head de Soluções da Google Cloud para América Latina. 

Em fevereiro do ano passado, a empresa contratou Marco Bravo, ex-vice-presidente para América Latina da multinacional de pagamentos ACI, como o novo líder do Google Cloud Brazil.

O executivo tem o mesmo histórico em grandes empresas de tecnologia, incluindo a Microsoft, onde foi diretor de vendas por cinco anos.

Em novembro de 2019, a empresa contratou Milton Larsen Burgese, ex-country manager da divisão enterprise da Apple no Brasil, para liderar a área de setor público para América Latina no Google Cloud.

Burgese, aliás, tem também uma passagem pela Microsoft, onde fez carreira e chegou a liderar a oferta para setor público, que tinha em computação em nuvem um dos seus carros chefe.

Em junho de 2019, a empresa contratou Eduardo López, ex-VP de Enterprise Architect e Solutions da Oracle, para presidente do Google Cloud para a América Latina.

Com a contratação do executivo, o Google criou uma nova estrutura própria para América Latina, que até agora estava junto com Estados Unidos e Canadá, dois mercados muito mais importantes, dentro de uma divisão focada nas Américas.

López é argentino, mas fez carreira na Oracle por quase 20 anos em uma série de cargos na área de vendas baseados no Brasil.

No final de 2018, o Google divulgou que o número total de clientes do Google Cloud no Brasil aumentou um pouco mais de quatro vezes (330%) enquanto o número de revendas aumentou cinco vezes.

É provável que a multiplicação de clientes e parceiros tenha sido tão acelerada porque a base inicial era baixa, mas de todas formas, ela mostra o momento do Google nesse mercado.

Em 2017, o Google lançou uma região do seu cloud para América Latina, baseada em São Paulo. O Brasil também foi o primeiro país a permitir o pagamento em moeda local.

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